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PCP: aumento de administradores da CGD é “inaceitável e injusto”

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José de Matos está de saída da Caixa Geral de Depósitos

Paulo Alexandrino

Governo vai alterar regras dos salários da nova administração da Caixa Geral de Depósitos. PCP é contra, BE não se pronuncia

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O PCP considera que a decisão do Governo de rever os salários dos administradores da Caixa Geral de Depósitos (CGD), depois de uma recomendação do Banco Central Europeu (BCE), é "inoportuna, inaceitável e injusta".

Questionado pelo Expresso, o PCP manifesta a sua indignação, lembrando que "os salários dos trabalhadores do banco público estão congelados e se anuncia a intenção de manter o congelamento dos salários dos trabalhadores da Administração Pública até 2020".

"A ser verdade que esta decisão do Governo é tomada no seguimento de uma recomendação do BCE, estamos perante uma ilegítima ingerência externa de uma entidade, cujo presidente ainda recentemente, durante uma visita a Portugal, defendeu a continuidade da política de empobrecimento do país e do povo, nomeadamente através da redução dos rendimentos dos trabalhadores e dos pensionistas», acrescenta, em resposta por escrito.

Contactado pelo Expresso, o BE optou por não comentar.

Os salários dos administradores da CGD deverão deixar de estar sujeitos às limitações dos gestores públicos. O Ministério das Finanças confirmou ao Expresso que vai acatar "seguramente todas as recomendações" do BCE sobre esta matéria dado que é "a entidade reguladora da CGD".

O BCE, tal como o Expresso noticiou há três semanas, considera que não deve haver discrepâncias entre os salários dos administradores da CGD e ainda que não deve haver um teto salarial. Face a isto, o Ministério das Finanças esclarece que "o regime remuneratório foi uma consideração feita pela entidade reguladora que será objeto de análise, não havendo ainda decisões sobre esse tema".

O salário dos administradores da Caixa obedece ao Estatuto do Gestor Público, que prevê que estes possam receber uma remuneração igual à média dos últimos três anos. É um regime de exceção previsto nessa lei.

Mas isso faz com que os vários administradores tenham salários diferentes. O atual presidente-executivo José de Matos (que será substituído por António Domingues) tem um salário bruto de 16.578,28 euros mensais, enquanto o vice-presidente Nuno Fernandes Thomaz recebe por exemplo 8647,8 euros.