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Ferreira Leite: “É bizarro” o Governo querer introduzir a progressividade no IMI

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No habitual espaço de comentário, Manuela Ferreira Leite considerou ainda como “muito vergonhoso” os números divulgados referentes às transferências de dinheiros para offshores nos últimos cinco anos

Manuela Ferreira Leite considerou como “bizarra” a proposta do Governo para introduzir a progressividade no Imposto Municipal sobre Imóveis. No habitual espaço de comentário na TVI 24, na noite desta quinta-feira, a ex-ministra das Finanças referiu que se trata da “adulteração” e “distorção dos objetivos do imposto”.

“Já tem um elemento de progressividade, esta [introdução] não é progressividade porque não incide sobre o rendimento”, defendeu Ferreira Leite. “A ideia é tributar mais porque se tem duas ou três casas, independentemente de não valerem nada, podendo ficar a pagar mais de IMI do que alguém que tem um palacete na zona nobre de Lisboa, por exemplo”, acrescentou.

A antiga responsável pela pasta da Finanças deixou ainda um alerta: “Pode criar fortes injustiças e desigualdade entre as pessoas”.

Questionada sobre a recente revelação do Governo, que divulgou uma lista com os dados estatísticos de transferências para offshores nos últimos cinco anos, Ferreira Leite disse ser “muito vergonhoso” que tanta gente tenha fugido aos impostos tendo em conta a crise económica que os país atravessou nesse período.

“Tenho dificuldade em dizer que é escândalo, porque isto é uma coisa que se conhece e ao conhecer-se o escândalo é menor, mas não tenho dúvidas que é muito vergonhoso”, referiu, lembrando que estes mais de dez mil milhões transferidos para os paraísos fiscais são apenas “aqueles que se conhecem”, pois “falta uma parte significativa” de quem não deu conta das transferências.

“Estamos a ver que a diferença fiscal é uma tentação para quem tem mais dinheiro. Por alguma razão os jogadores de ténis que ganham fortunas vivem quase todos no Mónaco... tem uma boa vista e pagam pouquíssimos impostos”, disse.