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Governo foi “propositadamente conservador” nas previsões macroeconómicas

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Ministro do Planeamento e das Infraestruturas garante não existir nenhum plano B e descreve previsões do Governo como “conservadoras”

"Conservadoras". Eis o adjetivo que Pedro Marques, ministro do Planeamento e Infraestruturas, usa para descrever as previsões macroeconómicas do Governo, quanto ao Programa de Estabilidade e ao Plano Nacional de Reformas.

No fundo, não existe consenso quanto aos documentos apresentados pelo Governo que vão ser discutidos no Parlamento esta quarta-feira, por exigência do CDS, defende o ministro. Passos Coelho disse que as previsões eram "pouco ambiciosas", o Tribunal de Contas acusou-as de serem "excessivamente otimistas".

"As nossas previsões são conservadoras, nem sequer imprimem nenhum crescimento espetacular, não aumentam quotas no mercado, o crescimento caminha para 2%, mas de uma forma lenta ao longo do período. Fomos propositadamente conservadores nas previsões macroeconómicas que fizemos, para que não fossemos acusados de falta de credibilidade e de procurarmos desculpas para crescimentos que depois não viessem a verificar-se", afirma Pedro Marques em entrevista ao "Diário de Notícias" esta quarta-feira.

O ministro justifica as previsões do défice de 2,2% com o sucesso da reposição dos rendimentos das famílias. "A reposição de rendimentos às famílias suscita um aumento da procura interna e do consumo privado. As empresas sempre nos disseram – nos inquéritos ao investimento do INE, nos últimos anos – que era o principal fator para não estarem a investir, de que não existia procura."

Pedro Marques diz também não estar preocupado com a avaliação que a Comissão Europeia vai fazer em maio: um trabalho que descreve como "profícuo", como aconteceu com o Orçamento do Estado, "mas que deu bons frutos".

Quando questionado se o Governo terá margem para acomodar algumas indicações ou exigências de Bruxelas, responde ao "DN", tal como Mário Centeno já havia defendido, que não existe nenhum plano B. "Nós já temos no Orçamento do Estado uma margem muito importante daquilo que é o tal chamado plano B, que é executar o plano A, que se chama cativações da despesa".