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Política

Presidente da Assembleia Legislativa distribui cópias das procurações que o ligam à Mossack Fonseca

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Miguel Albuquerque e Tranquada Gomes

Tranquada Gomes entregou aos deputados do Parlamento regional cópias das procurações, enquanto acusa jornalistas de não ter uma “opinião crítica”

Marta Caires

Jornalista

“Qualquer pessoa que ler aquelas procurações percebe que não existe qualquer relação. Se a procuração me concede poderes para praticar negócios jurídicos a favor de um determinado cliente como é que tenho relações com a Mossack?” O presidente da Assembleia Legislativa da Madeira, cujo nome surge em procurações passadas pela Mossack Fonseca, no âmbito da investigação dos Papéis do Panamá, distribuiu as cópias pelos deputados e afirmou que os jornalistas não estão a ter uma visão crítica dos factos.

“Não vou dar lições de jornalismo a ninguém, mas antes dos senhores jornalistas fazerem considerações convinha ler com uma visão crítica. O jornalista não é um mero passador de informação, tem que ter uma opinião crítica”. Tranquada Gomes, que falava à saída da sessão solene do 25 de Abril no Parlamento regional, disse mesmo que as notícias vindas a pública agitam o “pior que há na consciência humana”.

“Quando tem um título diz que o presidente da Assembleia nos Papéis do Panamá está a agitar o que de pior há na consciência humana: o bicho papão da confusão e que as pessoas não são sérias. Não há nada de ilícito nas procurações”, disse.

Como os jornalistas não esclarecem, Tranquada Gomes decidiu entregar as cópias das procurações a todos os deputados da Assembleia Legislativa para acabar de vez com “o diz que disse”. Os deputados poderão ler o que está lá sem intermediários e perceber que não têm nada de ilícito ou ilegal. Refira-se que estas procurações foram passadas - têm datas entre 1994 e 2005 - quando Tranquada Gomes era consultor de uma sociedade de management sediada no Centro Internacional de Negócios.