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“Pode ser tímido, mas este abril é um hoje de regresso”

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José Luís Ferreira, deputado do PEV

Marcos Borga

BE, PCP e PEV revalidam os votos da convergência de esquerda. PS prometer combater as desigualdades

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

BE e PCP aproveitam a cerimónia do 25 de abril para revalidar os votos de confiança e empenho na viabilização do Governo socialista, em nome da Constituição que faz agora 40 anos.

“Forças diferentes fizeram um caminho de diálogo e compromisso conjuntos. Desmentiram que, em eleições livres, nem todos os votos sejam úteis. E escolheram o seu ponto de partida: não pode prolongar-se a devastação dos últimos anos, o empobrecimento tem de parar, nem mais um passo atrás”, avisou o deputado do BE, Jorge Costa, na cerimónia de comemoração dos 42 anos do 25 de abril na Assembleia da República.

“Nesta nova fase da vida política nacional, com a nova correlação de forças na AR temos a obrigação de não desaproveitar nenhuma oportunidade para recuperar dignidade e direitos. (...) Temos a obrigação de agarrar nesta esperança e confiança renovada das mulheres e homens deste país”, acrescentou Rita Rato, do PCP.

Antes disso tinha sido a vez de José Luís Ferreira, do PEV: “É certo que ao longo da nossa história democrática já estivemos mais perto de abril, mas hoje, e neste abril, podemos dizer que também já estivemos mais longe. Na verdade, este abril, este hoje, é um hoje de regresso. Pode ser tímido, mas não deixa de ser um regresso. Um regresso desde logo à normalidade constitucional”.

“Se a nova configuração parlamentar permitiu dizer adeus às inevitabilidades, seria até irresponsável da nossa parte não contribuir para os regressos que nos permitem aproximar de abril”, explicou.

Com um discurso duro, o deputado do BE, Jorge Costa, lembrou ainda as “famílias da ditadura, recicladas nesta economia de rendas e casino, que continuam a fazer-nos perder o que não podiamos desperdiçar. Espírito Santo, Mello, Champalimaud, Queiroz Pereira”, considerando que estas “passeiam as suas falências de luxo e da nossa desgraça entre a Suiça, o Panamá e os cofres públicos”. “Enquanto a dívida histórica (em relação aos mais fracos) estiver por cobrar, ninguém espere que o BE se reduza à ternura dos 40. Ninguém nos espere convertidos ao inevitável”, prometeu.

Já o PCP aproveitou para defender a Constituição e algumas das principais propostas do caderno de encargos do acordo com o Governo (35 horas, subordinação do poder económico ao poder político, etc). O discurso de Rita Rato causou, contudo, burburinho na sala quando falou sobre “a derrota do PSD e do CDS a 4 de outubro do ano passado e o seu afastamento do poder”, provocando reações de indignação daquelas duas bancadas.

Em nome do PS, discursou João Torres, líder da JS, que começou por lembrar que ainda há desemprego, precariedade e emigração. “Cumprir abril é proporcionar a todos a oportunidade de superar as desigualdades de partida com que nos deparamos quando nascemos, independentemente de quem somos, de onde vivemos, de quem amamos e daquilo em que acreditamos.”