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25 de abril: 6 notas sobre o país político que temos

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Marcos Borga

Um Presidente que pede consensos, previsões económicas que não devem ser dogmas, esquerda satisfeita e unida, cravos e mais cravos. O que os 42 anos do 25 de abril nos disseram hoje

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Estabilidade e consensos

Há dois caminhos diversos, mas é possível mesmo assim haver consensos setoriais de regime. O apelo de Marcelo foi claro, dirigido ao PS e ao PSD. E até disse as áreas: Saúde, Justiça e Segurança Social. O Presidente da República, que não ousou colocar o cravo na lapela, não quer que o país viva em campanha eleitoral “sistematicamente” e vincou que a estabilidade é importante para que haja condições de crescimento económico do país. Nas reações aos jornalistas, no final da cerimónia, PS e PSD (surpresa) divergiram. Carlos César, líder parlamentar do PS, viu no apelo de Marcelo uma crítica aos sociais-democratas que “recusam consensos essenciais”. O PSD, por seu lado, destacou a parte de haver dois caminhos diferentes e culpou o PS pelo facto de não ter estado disponível para o diálogo quando os sociais-democratas estoveram no poder. Veremos nos próximos dias o efeito dos apelos do Presidente.

Revisões económicas devem ser vistas “sem drama”

Com cautela, Marcelo fez questão de avisar que é normal uma permanente revisão das previsões económicas. “Sem dramas”, disse, considerando que é melhor retificar os cálculos do que negar os factos. Sabe-se como o PS desde o cenário macroeconómico, passando pelo programa de Governo, o esboço do Orçamento para 2016 e o próprio Orçamento foi modificando as suas previsões de cálculo de crescimento ou de meta de défice. Para Marcelo, isso deve ser encarado com naturalidade porque os tempos são incertos, cá dentro e lá fora também. Estas palavras podem servir de conforto aos socialistas mas deixam uma interrogação. Serão válidas também para o caso de vir a haver mais Retificativos?

Aplausos da esquerda a um PR de direita

Foi a primeira vez que houve tantos deputados da esquerda a aplaudir um discurso de um Presidente da República de direita. No final, o PS levantou-se mesmo para aplaudir fazendo companhia a PSD e CDS. Da parte do PCP e BE houve alguns aplausos, mais tímidos, mas ninguém se levantou. Mas curiosamente ao longo do discurso de Marcelo houve alguns elogios de deputados do BE que não escondiam alguma surpresa e satisfação pela forma como o Presidente se referiu às várias conquistas de abril desde a autonomia das regiões ao fim da elevada taxa de mortalidade infantil.

Esquerda não quer recuar

Foi um novo juramento. PCP, BE e PEV deixaram claro que têm orgulho no acordo que fizeram para viabilizar o Governo do PS e que o fizeram, acima de tudo, para que a Constituição fosse cumprida como nunca o foi com o PSD-CDS. Mas avisaram: não há recuos em relação aquilo que já foi conseguido no Orçamento de 2016 (leia-se reposição de salários e pensões, acordo para aumento do salário mínimo, etc). Por sinal, quem menos falou sobre esse acordo foi o PS, que escolheu para orador o deputado e líder da JS, João Torres.

Avisos da direita: vai custar caro

PSD e CDS avisam que o caminho deste Governo pode custar muito caro, embora pareça simpático “no curto prazo” para a generalidade dos cidadãos. Segundo o PSD, o Governo está “a esconder a insustentabilidade a médio e longo prazo” dos ganhos que agora os portugueses recebem. “Não podemos desperdiçar o caminho que fizemos e muito menos deitar fora tudo aquilo que, com dor seguramente, conseguimos”, avisou o CDS, centrando as atenções nas previsões do Programa de Estabilidade (que vai ser discutido no Parlamento na quarta-feira) do Governo que não é “credível”.

Capitães de abril aplaudidos

Desde 2011 que os capitães de abril comemoravam a revolução apenas na rua e deixaram de entrar na Assembleia da República como forma de protesto contra o Governo PSD-CDS que, a seu ver, punha em causa as conquistas de abril. O regresso, esta segunda-feira, motivou elogios da esquerda e um aplauso de pé das bancadas à exceção, precisamente, do PSD e CDS. É a primeira vez que PCP, BE e PEV viabilizam um Governo do PS e é natural que as forças de esquerda estejam mais entusiasmadas nestas comemorações. As juras de fidelidade à Constituição, aliás, foram muitas.