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Marcelo leva cravo na mão ao 25 de abril no Parlamento

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Marcelo Rebelo de Sousa faz amanhã o seu primeiro discurso como Presidente da República nas comemorações do 25 de Abril

Marcos Borga

Conselho Nacional da Juventude foi a Belém oferecer-lhe um cravo e o Presidente leva-o às comemorações do 25 de abril no Parlamento. Mas em vez da lapela, leva a flor na mão. Um PR ao centro

Marcelo Rebelo de Sousa vai chegar amanhã às comemorações do 25 de abril no Parlamento de cravo na mão. O Presidente recebeu ontem, em Belém, a direção do Conselho Nacional da Juventude que lhe foi oferecer um cravo e Marcelo vai levá-lo, simbolicamente, aos festejos. Mas não o usará na lapela.

Ramalho Eanes (ex-militar de abril), e Mário Soares e Jorge Sampaio (ambos socialistas) sempre usaram a flor da revolução na lapela do casaco. Mas Cavaco Silva, o único Presidente oriundo de um partido do centro direita, nunca usou o cravo.

Marcelo encontrou um meio caminho - levará o símbolo do 25 de abril na mão, como oferta de jovens, mas não a porá ao peito. “É o modelo escolhido por um Presidente da República ao centro”, explica fonte oficial. Em boa verdade, Marcelo Rebelo de Sousa só pôs o cravo de Abril na lapela durante a Assembleia Constituinte, logo a seguir à revolução. Depois disso, mesmo como líder do PSD, sempre apareceu nas comemorações do 25 de Abril sem cravo ao peito.

Homenagem à liberdade de expressão

O Presidente da República vai começar as comemorações do 25 de abril esta noite com uma visita ao News Museum, em Sintra. Uma forma de homenagear a liberdade de imprensa e de expressão. No 25 de abril de 1974, Marcelo era jornalista no Expresso e escreveu neste semanário, na altura, o gozo com que telefonou naquele dia para Mário Bento Soares, o responsável pelos serviços de censura, a dar-lhe a notícia da revolução. Marcelo relata no texto que, para o irritar, adorava tratá-lo por “Mário Soares”, símbolo do combate ao regime que caíu em 74.

Na manhã de segunda-feira Marcelo Rebelo de Sousa desloca-se ao Parlamento, onde discursará. A seguir ruma a Santarém, para se associar a uma homenagem a Salgueiro Maia, outro símbolo, neste caso militar, da revolução dos cravos.

À tarde, no Palácio de Belém, o Presidente condecora António Arnaut, “pai” do Serviço Nacional de Saúde, e o neurocirurgião João Lobo Antunes. E à noite preside à cerimónia de entrega do prémio Vida Literária ao socialista Manuel Alegre.