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A liberdade vai passar por aqui

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Celebração do 25 de Abril em Lisboa

Reuters

O dia vai ser longo. As comemorações do 25 de abril de 1974 começam logo às 00h01 com a inauguração do Museu da Notícia em Sintra pelo Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, que já anunciou que irá também deslocar-se a Santarém para homenagear o capitão de Abril Salgueiro Maia

No dia 25 de abril de 1974, às 3h30 da manhã, Salgueiro Maia deixa Santarém em nome da democracia. Com ele seguia a coluna de blindados da Escola Prática de Cavalaria rumo ao coração do Estado Novo, o Terreiro do Paço e os seus ministérios. Mais de duas horas mais tarde, a Praça do Comércio é ocupada e os militares cercariam ainda ao Largo do Carmo, prontos para cercar o Quartel-General da GNR e exigir a rendição do presidente do Governo, Marcello Caetano. O capitão de Abril fá-lo-ia pessoalmente, às 17h desse mesmo dia.

“A liberdade está a passar por aqui”, já cantava então Sérgio Godinho. Nesse dia, Salgueiro Maia fez História. E a História recordá-lo-ia para sempre. Ainda assim, nunca tinha sido homenageado por um Presidente da República nas comemorações do 25 de Abril – sê-lo-á este ano, no dia em que se celebram os 42 anos da revolução dos cravos.

Marcelo Rebelo de Sousa irá a Santarém propositadamente para homenagear o “capitão sem medo”, às 15h, junto ao monumento evocativo de Salgueiro Maia no Jardim dos Cravos. Nesta segunda-feira, o Presidente da República vai ainda condecorar com a Grã Cruz da Ordem da Liberdade o fundador do Serviço Nacional de Saúde, António Arnaut, e o neurocirurgião João Lobo Antunes, no Palácio de Belém em Lisboa, depois da cerimónia comemorativa na Assembleia da República e da sua ida a Santarém. Também Manuel Alegre irá receber neste feriado o Prémio Vida Literário da Associação Portuguesa de Escritores.

A tarde é do povo

O dia vai ser longo. E começa logo às 00h01 com a inauguração do Museu da Notícia (News Museum) em Sintra pelo novo Presidente, um dos protagonistas deste museu pelo seu papel no jornalismo. Os 42 anos da revolução de Abril serão mais uma vez recordados, comemorados e homenageados esta segunda-feira com a habitual sessão solene no Parlamento, agora com um Presidente e um Governo novos, num Parlamento de maioria de esquerda.

O Hino Nacional ficará a cargo do Orfeon Académico de Coimbra, que vai ainda interpretar as canções de Zeca Afonso “Vejam Bem” e “Grândola, Vila Morena”. Seguem-se os discursos do deputado do PAN André Silva, dos Verdes (José Luís Ferreira), PCP (Rita Rato), Bloco de Esquerda (Jorge Costa), PS (Carlos César), PSD (Paula Teixeira da Cruz) e do Presidente da República. Este será o primeiro discurso de Marcelo como Presidente nas comemorações da “revolução dos cravos”. Depois disso, Rebelo de Sousa e Ferro Rodrigues irão visitar a exposição “A prova do tempo: 40 anos de Constituição”.

Pela primeira vez em quatro anos, o capitão de Abril Vasco Lourenço marcará presença na sessão de comemoração. A ausência do também presidente da Associação 25 de Abril estava relacionada com o seu descontentamento em relação às políticas do anterior Executivo.

A tarde do dia 25 será dedicada, como habitual, às celebrações populares. Além das já referidas homenagens e condecorações, terá lugar um desfile na capital, do Marquês do Pombal ao Rossio, organizado pela Associação 25 de Abril, a CGTP e a UGT.

Um dia de portas abertas

Durante a tarde do feriado, entre as 14h30 e as 19h, o primeiro-ministro António Costa abrirá as portas da sua residência oficial, o Palácio de São Bento, a quem o quiser visitar. Uma iniciativa que desde 2012 não era repetida neste dia, ano em que o Governo PSD/CDS decidiu fazê-lo.

Também o presidente da Assembleia da República Eduardo Ferro Rodrigues recebe a população a partir das 15h, no Parlamento, onde terão igualmente lugar iniciativas culturais e dedicadas aos jovens.

Vários discursos, iniciativas sociais, culturais, de elogio à memória e à democracia irão ter lugar um pouco por todo o país, num exercício comemorativo que evoca as conquistas históricas que mudaram o rumo do nosso país a 25 de abril de 1974. Neste feriado, a liberdade vai passar por aqui.