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PSD apela a Vítor Constâncio para colaborar com parlamento português

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O deputado Carlos Abreu Amorim considerou a atitude do vice-presidente do BCE como “lamentável e estranha” e sublinhou que Constâncio “muito poderá ajudar”

O grupo parlamentar do PSD apelou esta sexta-feira ao vice-presidente do Banco Central Europeu, Vítor Constâncio, para rever a sua decisão de não responder perante o parlamento português e colaborar com a comissão parlamentar de inquérito do Banif.

"O grupo parlamentar do PSD apela ao doutor Vítor Constâncio para colaborar com a comissão parlamentar de inquérito do Banif, porque temos a certeza de que muito nos poderá ajudar", disse à Lusa o deputado social-democrata Carlos Abreu Amorim.

"Se se agarrar ao formalismo de que, como vice-presidente do BCE, não responde perante o parlamento português, então, os cidadãos portugueses são obrigados a retirar a conclusão de que o doutor Vítor Constâncio tem alguma coisa a esconder e que, por isso, é que não quer colaborar com a descoberta da verdade", acrescentou.

O parlamentar reagia às declarações feitas, em conferência de imprensa em Amesterdão, por Constâncio, que disse não ter recebido qualquer pedido de depoimento no âmbito desse caso e que, além disso, as estruturas do BCE "não respondem perante comissões de inquérito de parlamentos nacionais".

"O PSD julga que esta atitude do doutor Vítor Constâncio é lamentável e espera sinceramente que o doutor Vítor Constâncio venha a reconsiderar. O doutor Vítor Constâncio, já enquanto vice-presidente do Banco Central Europeu, colaborou por duas vezes com uma comissão parlamentar de inquérito no parlamento português: a primeira vez, na segunda comissão parlamentar de inquérito do BPN, presencialmente, e a segunda vez, com a comissão parlamentar de inquérito do BES, em que depôs por escrito", prosseguiu Carlos Abreu Amorim.

De acordo com o deputado social-democrata, esta atitude, "além de lamentável, é estranha" porque Constâncio "tem aparecido sucessiva e constantemente em documentos e em depoimentos de pessoas que têm colaborado com a comissão parlamentar de inquérito e pode-se dizer que ele é hoje uma espécie de pano de fundo do caso Banif, [pelo que] a sua colaboração com o parlamento português era fundamental, era essencial".

Por outro lado, insistiu: "o doutor Vítor Constâncio alegar que o parlamento português não tem jurisdição sobre o Banco Central Europeu parece-nos ser de um formalismo que, em primeiro lugar, colide com atitudes que o próprio dr. Vítor Constâncio tomou no passado e, em segundo lugar, parece esquecer que nós não estamos a falar de uma personagem qualquer da política portuguesa, é um cidadão com especiais responsabilidades".

"Foi deputado, foi governante, foi governador do Banco de Portugal e, portanto, é alguém que tem especiais responsabilidades públicas na história política portuguesa e, por isso, tem o dever acrescido de colaborar com o parlamento português", concluiu.

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