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Sócrates: “Nunca seria primeiro-ministro sem ter ganho as eleições”

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Rui Duarte Silva

O ex-primeiro-ministro assume que nem tudo o que António Costa faz lhe agrada. Em entrevista à Antena 1, ironiza também a propósito da presença do seu nome nas notícias do Expresso sobre os Panama Papers: “Eu sou suspeito simplesmente porque o meu nome não está lá”

Diz apoiar o Governo de António Costa e considerar as críticas à sua legitimidade infundadas. Mas se fosse José Sócrates a ter perdido as eleições legislativas de outubro, "nunca seria primeiro-ministro".

Em entrevista à "Antena 1", que passa na rádio esta quinta-feira de manhã, o ex-primeiro-ministro socialista diz gostar "deste Governo. Tenho aliás neste Governo alguns dos meus melhores amigos políticos”, afirma. E mesmo que este Governo tenha começado de forma provisória, "agora já não é".

Porém, nem tudo o que António Costa faz lhe agrada. "Eu nunca seria primeiro-ministro sem ter ganho as eleições", afirma. E deixa outras acusações. Por exemplo, no diploma para a desblindagem dos estatutos dos bancos – em particular para o caso do BPI –, o Governo cometeu “um erro político” e “uma precipitação”, sendo que Marcelo Rebelo de Sousa também terá culpas sobre esta situação, diz. Um Presidente em constante "alvoroço" e que está a querer “aparecer todos os dias na televisão a comentar os mais diversos assuntos."

Na entrevista à rádio pública, Sócrates aproveita ainda para criticar a Comissão Europeia pelas posições reveladas nas últimas semanas. Para o ex-primeiro-ministro, as declarações vindas de Bruxelas são mais uma prova de que a Europa "tem um problema democrático de base que se tem acentuado” nos últimos tempos.

Quanto à referência do seu nome nos Panama Papers, noticiada pelo Expresso no sábado passado, Sócrates diz que a investigação anda "aos papéis" e ironiza: “Nos Panama Papers, eu sou suspeito simplesmente porque o meu nome não está lá”.

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