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PCP ataca Marcelo

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tiago miranda

Em editorial no “Avante” os comunistas apontam o dedo ao “diktat financeiro” do BCE perante a banca nacional. Mas as críticas sobram ainda para o Presidente da República, acusado de “submissão” e de agir contra a Constituição “que ainda há pouco tempo jurou cumprir e fazer cumprir”

O editorial da edição de hoje do jornal «Avante», orgão central do PCP, tem como tema principal os problemas da banca portuguesa. Os casos do Banif, assim como a desblindagem dos estatutos do BPI são o ponto de arranque, de um artigo onde o principal bombo da festa são as entidades europeias responsáveis pelo controlo do sector financeiro. Mas onde Marcelo Rebelo de Sousa aparece como co-responsável.

A posição comunista é muito clara: "ou a banca é publica, ou não é nacional". A frase foi dita por Jerónimo de Sousa na sessão pública de debate promovida pelo PCP em Março e é de novo repetida no «Avante». Os comunistas querem que os bancos sejam nacionalizados e entregues à gestão pública e assistem aos últimos problemas no setor como uma "evolução negativa" e como prova do "aumento da chantagem da União Europeia, do FMI e do BCE".

A presença do presidente do BCE no último Conselho de Estado, a convite do Presidente da República, voltou a ser referida. Os comunistas voltam a denunciar a "postura arrogante de Mario Draghi" no encontro, tal como denunciam que "as regras de supervisão do BCE" visam o "favorecimento da concentração privada da Banca", nomeadamente em grandes grupos estrangeiros.

As críticas a Marcelo Rebelo de Sousa são, até aqui, indiretas. O convite a Draghi desagradou ao PCP, mas a promulgação do decreto-lei de «desblindagem» dos estatutos dos bancos feito pelo Presidente da República é já um motivo de ataque direto. "Ao alterar as restrições aos efeitos do voto dos accionistas, vem favorecer ainda mais a concentração e a deslocalização do País dos seus centros de decisão", diz o «Avante», acrescentando que "o caso BPI encaixa nas imposições e objectivos do BCE ao facilitar a tutela dos interesses espanhóis sobre a Banca portuguesa (de que faz parte a OPA do La Caixa) com consequências negativas para Portugal".

O remate do texto do editorial é totalmente dedicado ao Presidente da República. Marcelo ganha protagonismo neste "processo negativo" que, segundo os comunistas, se vive na banca. "A recente visita do Presidente da República ao Parlamento Europeu" é disso exemplo. Marcelo, "proferiu uma intervenção de submissão à UE contrária à defesa dos valores da soberania e independência nacionais que a Constituição da República consagra e que ainda há pouco tempo jurou cumprir e fazer cumprir", conclui o «Avante».