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Ministro da Cultura: “A liberdade de expressão é sempre condicionada pela circunstância”

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FAROOQ KHAN / Lusa

Luís Filipe Castro Mendes diz escrever poesia “para responder com poemas às surpresas que o mundo dá”. Não julgando o seu antecessor, lembra que “todos nós [políticos] temos de ter um especial cuidado com as palavras”

Viveu os últimos anos fora do país, em cidades como Rio de Janeiro, Estrasburgo, Budapeste, Luanda ou Goa, em representação do Estado português, mas diz que não é "um extraterrestre" acabado de chegar a Portugal. Luís Filipe Castro Mendes, o novo ministro da Cultura – "um cargo que não estava nos seus planos de vida" –, deu na noite desta quarta-feira a sua primeira entrevista após ter chegado ao cargo, à RTP3.

Escreve poesia "para responder com poemas às surpresas que o mundo [lhe] dá", confessa o novo ministro da Cultura, autor de vários livros de poesia. Eis uma terapia possível para qualquer político em exercício de funções.

Nascido no ano de 1950 em Idanha-a-Nova, município que no ano passado recebeu a classificação de Cidade da Música no âmbito da Rede de Cidades Criativas da UNESCO, Luís Filipe Mendes diz estar convicto de que Portugal "está diferente, está a mexer, está a mudar, e há coisas muito interessantes que se estão a passar – há muita criatividade".

Quanto ao incidente das "bofetadas" que gerou a demissão de João Soares e levou à sua nomeação para o cargo do "amigo", o ex-embaixador de Portugal junto da Comissão Europeia diz não fazer julgamentos públicos. "Não vou julgar ninguém, mas a verdade é que todos nós temos de ter um especial cuidado com as palavras", diz, lembrando também as palavras do filósofo espanhol Ortega Y Gasset, que afirmou que "a liberdade de expressão é sempre condicionada pela circunstância". Cargos políticos são um exemplo claro desta situação, refere.

Como só chegou ao ministério há uma semana, o novo ministro da Cultura diz que ainda é muito cedo para referir medidas específicas que vai tomar, deixando só a garantia de que vai apostar uma "aliança com o poder local, com a sociedade civil e com a juventude". A única medida em concreto que referiu foi a importância de avançar com a criaçao do Cartão Cultural, que já fazia parte do programa de Governo.

  • “Um poeta não é forçosamente um mau gestor”

    Luís Filipe Castro Mendes, até agora embaixador de Portugal no Conselho da Europa, toma posse esta quinta-feira como novo ministro da Cultura, substituíndo João Soares, que se demitiu depois de ter ameaçado dois cronistas do “Público” com “salutares bofetadas”. Em entrevista ao Expresso, Castro Mendes diz que quer “ouvir muitas pessoas” e “estudar os dossiês”, “rapidamente e sem delongas”, para que possa “fazer alguma coisa”