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MP admite analisar “mentira” de Centeno

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A Procuradoria Geral da República, dirigida por Joana Marques Vidal, está a investigar factos relacionados com a ligação de portugueses ao grupo Estado Islâmico

Manuel Almeida/LUSA

PGR vai “apurar se se verifica necessidade de intervenção no âmbito das suas competências” no caso das declarações do ministro das Finanças sobre o Santander

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O MInistério Público admite analisar as declarações do ministro das Finanças, Mário Centeno, sobre o Novo Banco e o Santander.

"O Ministério Público não deixará de analisar todos os elementos que vierem ao seu conhecimento, tendo em vista apurar se se verifica necessidade de intervenção no âmbito das suas competências", respondeu por escrito ao Expresso a Procuradoria-Geral da República, questionado sobre se iria ou não intervir no caso para o qual o PSD chamou a atenção.

O PSD acusou o ministro das Finanças de ter mentido na comissão parlamentar de inquérito ao Banif por ter dito que não teve qualquer intervenção para favorecer o Santander no processo de venda do Banif. Luís Marques Guedes divulgou na semana passada um email da presidente do conselho de supervisão do Banco Central Europeu, Daniéle Nouy, em que esta revela ter conversado com Centeno e Vítor Constâncio sobre a proposta do Santander. Estes teriam pedido ao BCE para desbloquear junto da Comissão Europeia a proposta do Santander para a compra do banco.

Ontem, Marques Guedes disse mesmo na comissão de inquérito: "A eficácia dos trabalhos da comissão de inquérito está ligada à veracidade dos depoimentos aqui prestados. Se não for assim, todo o inquérito fica colocado em causa. Os depoimentos seguem as regras do processo penal e ficou claro terça-feira que existe uma contradição insanável e que há uma falsa declaração que nos termos da lei penal é um crime público. O Ministério Publico terá que apurar aquilo que é o depoimento falso e é obrigação da comissão disponibiizar todas as gravações necessários para apurar este tipo de situações".

Na terça-feira, em audição na comissão de inquérito do Banif, Centeno já tinha dito que não havia mentido e que os contactos com a presidente do Mecanismo Único de Supervisão não tiveram por objetivo favorecer o Banif nem nenhum comprador em particular.