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Política

Há 64 deputados no Parlamento que também trabalham para o privado

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nuno botelho

Os deputados que se dedicam em exclusivo à Assembleia da República, recebem um suplemento mensal por isso: 348,67 euros, que acrescem à remuneração base de 3412,56 euros

O regime de incompatibilidades tem sido um dos temas mais discutidos dentro e fora do Parlamento, desde que Maria Luís Albuquerque foi trabalhar para a empresa britânica Arrow Global. Esta quarta-feira, foi criada a Comissão Eventual para o Reforço da Transparência no Exercício de Funções Pública, que integra deputados de todos os grupos parlamentares e será presidida por Fernando Negrão, do PSD.

Segundo o "Jornal de Negócios", dos 230 deputados na Assembleia da República 64 desdobram-se entre as obrigações políticas e outras atividades no privado.

Os deputados que se dedicam em exclusivo à Assembleia da República, recebem um suplemento mensal por isso: 348,67 euros que acrescem à remuneração base de 3.412,56 euros.

De acordo com os números dos serviços do Parlamento a que o matutino económico teve acesso, nem todos os deputados acionaram as despesas de representação, que foram pedidas em 114 situações.

De todas as propostas de revisão ao regime de incompatibilidades, a do Bloco de Esquerda é a mais radical: o diploma defende que a “política e a democracia não podem ser reféns de conflitos de interesses de deputados que dedicam parte do seu dia a interesses privados.”

Mas existem ainda outros diplomas (PCP, PS e BE) a ser discutidos: a maioria vai no sentido de condicionar os deputados que exercem outras funções. O PS propõe, por exemplo, que deputados sejam impossibilitados de servir como peritos, consultores ou árbitros em qualquer processo que o Estado esteja envolvido.