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Ferreira Leite. “O PS não lida bem com a independência do governador do BdP”

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Antiga ministra das Finanças diz que o PS tem uma “enorme dificuldade” em aceitar que existem “instituições verdadeiramente independentes”

Manuela Ferreira Leite acusou esta quinta-feira o PS de não saber conviver com instituições independentes, lamentando as acusações recentes do Governo ao governador do Banco de Portugal (BdP).

“É com imensa tristeza que vejo essa situação, porque independentemente das pessoas que protagonizam determinado momento ou determinado tipo de acusações – sejam ministros ou o primeiro-ministro – faz parte da democracia o respeito pelas instituições, uma coisa que está a cair a olhos vistos”, afirmou a antiga ministra das Finanças esta noite no seu habitual espaço de comentário na TVI24.

Na opinião de Ferreira Leite, a instituição liderada por António Costa, como banco central do país, deve ser respeitada, independemente do seu líder. A ex-líder do PSD defendeu ainda que aquela que considera ser uma dificuldade do partido socialista em lidar com instituições independentes remonta a vários anos.

“O PS não lida bem com a independência do governador do Banco de Portugal. O PS tem uma enorme dificuldade em convergir com instituições verdadeiramente independentes, não equaciona que possam ser independentes. Isso já aconteceu ao longo de vários governos socialistas e agora com este”, acrescentou.

Ferreira Leite referiu que essas acusaçõe são desprestigiantes para o BdP, sendo condenável o facto de Carlos Costa estar a ser “vilipendiado na praça pública”. E sublinhou ainda que o governador do BdP só pode ser destituído por uma “falha grave” que teria que ser provada pelo Banco Central Europeu (BCE).

Na semana passada, o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, acusou o BdP de ter cometido uma “falha de informação grave” relativamente à resolução do Banif, realçando que foi a instituição liderada por Carlos Costa que propôs a limitação de acesso do banco à liquidez do eurosistema.

Noutras ocasiões, o próprio primeiro-ministro também teceu críticas à atuação do governador do Banco de Portugal, relativamente ao casos do BES e do Banif.