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Presidente pede ao Governo que compre mais meios para a Marinha

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Presidente da República chega ao Alfeite para a sua primeira visita à Marinha acompanhado pelo ministro da Defesa, Azeredo Lopes, que, entretanto, teve de se retirar por imperativos de agenda. Explicações sobre a demissão do chefe do Estado-Maior do Exército só na próxima terça-feira, dia 26, no Parlamento

Mário Cruz / Lusa

“Faltam meios para cumprir as muitas missões” e “espero que seja possível reforçar os meios disponíveis”, reconheceu Marcelo Rebelo de Sousa no final da sua primeira visita à Marinha. E visitou uma velha corveta que carece de substituição urgente. Longe das câmara e dos microfones

Carlos Abreu

Jornalista

Um mês depois de ter discursado às tropas pela primeira vez, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a vestir a farda de comandante supremo das Forças Armadas e a visitar a Marinha, onde reconheceu que faltam meios para cumprir as muitas missões que tem a seu cargo.

“Há uma programação até 2020 para a construção já em curso e, porventura, para a aquisição e novos meios, mas os meios de que dispõe a Marinha ainda são insuficientes para as missões que tem a cargo”, afirmou esta quarta-feira o Presidente da República no final da sua primeira visita à Base Naval de Lisboa, quando Azeredo Lopes já não estava no Alfeite.

Fonte do gabinete do responsável pela pasta da Defesa Nacional disse ao Expresso que o ministro já tinha uma reunião marcada com o primeiro-ministro António Costa, com quem iria almoçar.

Nos poucos minutos que dedicou à imprensa, o chefe de Estado lembrou a seguir o extenso leque de missões da Armada, dando como exemplo o combate ao tráfico de seres humanos no Mediterrâneo, os exercícios multinacionais de segurança marítima no Golfo da Guiné, o apoio à pesca no Atlântico Norte, sem esquecer as missões permanentes de acompanhamento da Zona Económica Exclusiva, que, como fez questão de lembrar Marcelo, inclui não só o continente bem como as regiões autónomas.

“Espero que seja possível reforçar os meios disponíveis, quer no caso da Marinha, quer no caso dos outros ramos das Forças Armadas”, insistiu o Presidente da República.

Marcelo embarcou em Belém e cruzou o Tejo rumo ao Alfeite a bordo de uma lancha rápida

Marcelo embarcou em Belém e cruzou o Tejo rumo ao Alfeite a bordo de uma lancha rápida

Mário Cruz / Lusa

Da agenda do comandante supremo consta, nas próximas semanas, a visita ao Exército e a seguir à Força Aérea, respeitando, como é da praxe, a sequência histórica da criação dos três ramos das Forças Armadas, e comprometeu-se ainda a visitar os estabelecimentos de ensino militar.

No 10 de Junho, Marcelo Rebelo de Sousa estará presente na habitual cerimónia militar do Dia de Portugal, marcada para Lisboa, viajando em seguida para Paris onde irá comemorar a data junto da comunidade portuguesa na capital francesa.

Instado a comentar o caso da demissão do chefe do Estado-Maior do Exército, em total rota de colisão com o ministro Azeredo Lopes a decorrente da alegada discriminação de homossexuais no Colégio Militar, um dos estabelecimentos de ensino militar, Marcelo respondeu assim: “Essa questão está resolvida pela tomada de posse do chefe de Estado-Maior do Exército que decorreu na semana passada. O moral das Forças Armadas portuguesas é excelente. A sua capacidade de serviço ao país continua excelente”.

Na sua primeira visita à Marinha, Marcelo chegou ao Alfeite a bordo do NRP “Oríon”, uma das quatro lanchas de fiscalização rápidas da classe Centauro, projetadas e construídas há cerca de 15 anos pelo próprio Arsenal do Alfeite.

Depois de desembarcar foram-lhe prestadas honras militares, tendo assistido, momentos depois, a um briefing do almirante chefe do Estado-Maior da Armada, Macieira Fragoso, vedado à comunicação social.

Os jornalistas aguardaram por Marcelo Rebelo de Sousa a algumas dezenas de metros, junto ao submarino “Tridente”, que o chefe de Estado também visitou com especial agrado. “Já há muito tempo que não visitava um submarino”, disse Marcelo, sem especificar quando é que o fez pela última vez.

A primeira visita à Marinha terminou a bordo de um dos dois navios de patrulha oceânico construídos em Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o NRP “Viana do Castelo”, ao serviço da Armada desde dezembro de 2010.

O Expresso sabe que, depois do almoço, e com os jornalistas já fora da Base Naval de Lisboa, o Presidente pediu para visitar uma das três corvetas ainda ao serviço, 40 anos depois de terem cumprido a sua primeira missão. Marcelo teve oportunidade para ver in loco a “Jacinto Cândido”, e perceber o que querem dizer os militares quando falam em falta de meios. Os jornalistas é que não.

Marcelo Rebelo de Sousa visitou o submarino "Tridente"

Marcelo Rebelo de Sousa visitou o submarino "Tridente"

Mário Cruz / Lusa