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Marines e fuzileiros voltam a combater. Lado a lado

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O contra-almirante Luís Sousa Pereira e o major Craig Collings (ao centro na imagem) explicam o quinto exercício entre Fuzileiros e Marines

Horta Pereira/Marinha

Pela quinta vez, em menos de dois anos, marines norte-americanos e fuzileiros portugueses treinaram em conjunto, a coberto da noite e longe das câmaras

Carlos Abreu

Jornalista

Não foi a primeira e, muito provavelmente, não será a última que fuzileiros portugueses e marines norte-americanos estiveram lado a lado, durante um exercício militar. Treinam para quando e onde for preciso serem capazes de operar de forma coordenada, ou se se preferir, para “garantir a interoperacionalidade entre forças num teatro de operações”, tal como disse ao Expresso o contra-almirante Luís Sousa Pereira, comandante do Corpo de Fuzileiros.

Da última vez, em outubro do ano passado, por altura do exercício de alta visibilidade da NATO, Trident Juncture, desembarcaram na costa alentejana a partir do navio USS Arlington mas as coisas não correram conforme planeado. Águas passadas. Desta feita, o exercício foi levado a cabo na noite de segunda-feira para terça, dia 19, e os jornalistas não foram convidados, ainda que não estivesse previsto o desembarque de forças.

Explicou o contra-almirante Luís Sousa Pereira, no final da cerimónia militar que assinalou os 395 anos do Corpo de Fuzileiros, esta segunda-feira no Alfeite, que os 130 militares portugueses e os 40 norte-americanos iam realizar “progressões em terreno e coordenação de procedimentos e de comunicações, separação e concentração de forças num ponto”. Ora, neste tipo de exercício, explica o comandante dos Fuzileiros, é crucial o comando e controlo das operações para que seja possível “concentrar as forças, a uma determinada hora num determinado sítio, e maximizar os seus efeitos”.

“Estamos a falar de forças que no máximo vão até ao escalão companhia, que combatem de forma autónoma com aquilo que podem carregar, com várias valências integradas, que temos de saber articular para que, no objetivo, os efeitos esperados sejam produzidos”, afirma o contra-almirante português para logo acrescentar: “É essa a dificuldade, como separar as forças depois do desembarque mas manter a capacidade de saber o que estamos a fazer com elas e como é que vamos concentrar o nosso poder de fogo e maximizar os nossos efeitos para cumprir a missão que temos pela frente.” Quer se trate de um resgate de reféns ou da neutralização de um ponto sensível.

Marines e fuzileiros preparam o quinto exercício conjunto

Marines e fuzileiros preparam o quinto exercício conjunto

Staff Sgt. Bobby J. Yarbrough / US Marine Corps

Em termos táticos, é fundamental “otimizar o movimento das forças no terreno e a sua capacidade para gerar os efeitos pretendidos, para podermos retirar logo de seguida”, explica ainda comandante do Corpo de Fuzileiros.

“É essa experiência que estamos a partilhar e é para isso que estamos, neste momento, a preparar as nossas forças e é muito gratificante ter aqui uma força de pequeno escalão dos marine norte-americanos porque é um desafio coordenar a operação das duas forças”, remata o contra-almirante Luís Sousa Pereira.

Este foi o quinto exercício entre tropas dos dois países, especialmente treinadas para operações anfíbias, que desta feita pertencem à 26.ª Unidade Expedicionária de Marines, destacados a bordo do navio USS Oak Hill e que esta quarta-feira zarpa da Rocha de Conde de Óbidos, no porto de Lisboa. A comandá-los está o major Craig Collings.

Para além desta unidade expedicionária, que passou os últimos sete meses no mar, os fuzileiros portugueses participaram em maio de 2014 e abril de 2015 em exercícios com a Força de Intervenção Especial de Marines Aeroterrestres (SPMAGTF-CR-AF), sedeada na base aérea de Morón, no sul de Espanha, especialmente vocacionada para responder a crises em África. Os militares foram na altura projetados a partir de aeronaves Ospreys MV-22 recorrendo a uma fast roap numa operação em que o aparelho fica estacionário a algumas dezenas de metros do solo e os operacionais descem por um cabo.

Na habitual corrida pela Base Naval de Lisboa (Alfeite), no Dia dos Fuzileiros, que se comemorou esta segunda-feira, também participaram os marines norte americanos

Na habitual corrida pela Base Naval de Lisboa (Alfeite), no Dia dos Fuzileiros, que se comemorou esta segunda-feira, também participaram os marines norte americanos

Staff Sgt. Bobby J. Yarbrough / US Marine Corps