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Marcelo: “Se necessário” Portugal pode duplicar o acolhimento de refugiados

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Marcos Borga

A Comissão Europeia propôs a Portugal receber 1500 refugiados. À chegada a um concerto solidário, o Presidente da República sublinhou o papel das autoridades nacionais na resposta à crise migratória e aplaudiu o “mérito” da Plataforma de Apoio aos Refugiados

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, realçou esta segunda-feira a resposta de Portugal no acolhimento aos refugiados, afirmando que o país está disponível, "se necessário for", a duplicar o número proposto pela União Europeia.

"Portugal mostrou disponibilidade para acolher até mais refugiados, se necessário for, duplicando o número daqueles que podemos receber", disse o Presidente da República.

A Comissão Europeia propôs a Portugal receber 1500 refugiados, da Síria e da Eritreia.

O chefe de Estado falava aos jornalistas, no Centro de Cultural de Belém, em Lisboa, antes de assistir ao concerto de orquestras e coros das instituições portuguesas de ensino superior, em apoio aos refugiados, numa iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.


"Esta é uma iniciativa exemplar, logo no dia em que assistimos a mais uma tragédia, que são tragédias diárias que ocorrem no Mediterrâneo, e que põem à prova tudo aquilo o que são os valores da Europa", disse o Presidente da República, destacando o facto de "Portugal ter respondido como ninguém, afirmando os valores europeus".

O Chefe de Estado referia-se, deste modo, ao acidente no Mediterrâneo que poderá ter provocado a morte de mais de 400 pessoas. Um diplomata somali no Egipto, não identificado, confirmou à BBC a notícia, que começou por ser divulgada nas redes sociais no domingo, por famílias dos migrantes.

Sobre o concerto, Rebelo de Sousa qualificou-o como "uma iniciativa única", de estudantes "que, num gesto de singular de solidariedade, vêm dizer presente a uma causa que é nacional, e também europeia".

A receita do concerto reverte para a Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR), e Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de salientar o seu "mérito".

"O Estado tem feito aquilo que lhe compete, mas a plataforma tem reunido as mais diferentes instituições, e o [seu] papel tem sido essencial; é a sociedade civil a tomar iniciativa, a liderar, apoiada pelo Estado", disse.

O Presidente apelou ainda para "quem puder contribuir", o deve fazer, "pois está a ajudar uma causa que é nacional".

Marcaram presença vários ministros e secretários de Estado, entre eles, o ministro-adjunto, Eduardo Babrita, que afirmou que as instituições de Ensino Superior estão dispostas a receber refugiados que queiram estudar.

O concerto de solidariedade é dirigido pelos maestros Joana Carneiro e Kodo Yamaguishi, e reúne cerca de 200 artistas, alunos e professores de instituições de ensino superior, que se juntaram "para responder a um dos maiores desafios que a Europa do século XXI atravessa: a crise dos refugiados", como se lê num comunicado do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES), promotor da iniciativa.

As receitas do concerto "Música Sem Fronteiras" revertem, através PAR, para ações de apoio a refugiados provenientes da Grécia.