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CDS corrige: coligação só com PSD

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Alberto Frias

A direção centrista quer afinar a mensagem e deixar claro que é oposição ao PS e não potencial aliado. Sem equívocos: o aliado preferencial do CDS é o PSD

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

No balanço do primeiro mês à frente do CDS, cumprido na quarta-feira, um dos momentos que Assunção Cristas releva é o seu primeiro debate quinzenal com o primeiro-ministro, a 30 de março. É natural: a prestação correu-lhe bem e a ninguém passou despercebido que o Governo e o PS, pelas vozes de António Costa e de Carlos César, a “cortejaram”, vincando as diferenças entre a “atitude construtiva” da nova líder do CDS e o “bota-abaixismo amarrado ao passado” de Passos Coelho.

Tanta “simpatia” dos socialistas, porém, fez soar as campainhas no Largo do Caldas: a mensagem da nova direção do partido poderia não estar a passar como deve ser junto do eleitorado. O discurso político que Cristas levara ao congresso de Gondomar explorava a tese do fim do voto útil e apontava o objetivo de crescimento e afirmação do CDS, nomeadamente captando os votos de eleitores até aqui do PSD; havia quem lesse nisso (socialistas à cabeça) que o CDS, apostado em demarcar-se do PSD, poderia estar disponível para acordos com o PS. A direção centrista percebeu que tinha de pôr cobro ao equívoco e afinar o discurso.

Foi com essa orientação por pano de fundo que a direção se dedicou nestes últimos dias a estudar o Programa Nacional de Reformas do Governo e a formular um conjunto de medidas alternativas. “O CDS quer liderar a oposição ao Governo” e deixar muito claro perante os eleitores que o seu aliado preferencial continua a ser o PSD. O documento (praticamente finalizado a que o Expresso teve acesso) parte, aliás, de seis críticas muito concretas ao Executivo — tom que prometem prosseguir ao longo da legislatura.

Os centristas afirmam que o Governo “desistiu” das exportações e “resume” o investimento direto estrangeiro à inovação; “nada diz” sobre competitividade e “quer promover a capitalização das empresas, um grave problema, prescindindo da mais determinante ferramenta para o efeito: a fiscalidade”; “não propõe nada” sobre desemprego de longa duração”; “é pouco ambicioso” na modernização do Estado; “não explica” a utilização de fundos da segurança social para a regeneração urbana; e — por fim, mas não menos importante — “evita olhar” para a sustentabilidade da segurança social”.

Preferindo focar-se em poucas propostas para cada um dos pilares do PNR a apresentar todo um documento alternativo, o texto elaborado por Adolfo Mesquita Nunes, Miguel Morais Leitão e Pedro Mota Soares insiste em que as exportações e a captação de investimento direto estrangeiro deveriam constituir um dos pilares estratégicos do PNR, assim como a reforma para sustentabilidade da segurança social. Acrescentam que o Governo deveria recuperar no PNR a reforma do IRC (aprovada pelo anterior Governo) e retirar do documento a utilização do fundo de estabilização financeira da segurança social para a regeneração urbana.