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Costa sobre demissões: “As dúvidas que existiam da espuma dos dias foram esclarecidas”

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Marcos Borga

Luís Montenegro confrontou o primeiro-ministro sobre a recusa do Governo em ouvir o antigo ministro da Cultura e ex-chefe de Estado Maior do Exército no Parlamento. “O senhor convive bem com isto?”, questionou. À saída do debate quinzenal, António Costa disse aos jornalistas que todas as questões relativas às demissões ocorridas esta semana foram esclarecidas

O primeiro-ministro disse esta sexta-feira aos jornalistas, à saída do debate quinzenal, que todas as questões relativas às demissões ocorridas esta semana foram devidamente esclarecidas.

“Há um novo ministro e novos secretários de Estado, há um novo chefe de Estado Maior do Exército e as dúvidas que existiam da espuma dos dias foram esclarecidas e resolvidas com transparência. Agora podemos centrar-nos na resolução dos problemas sérios e efetivos, como sejam os referentes à procura de melhores condições para o financiamento da economia”, afirmou António Costa.

As declarações do governante surgem depois de o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, ter acusado esta manhã o Governo de “falta de transparência” e de travar o escrutínio da Assembleia da República, ao recusar ouvir o antigo ministro da Cultura e ex-chefe de Estado Maior do Exército no Parlamento.

“Estamos numa semana em que o Governo e a sua maioria rejeitar ouvir no Parlamento um ministro que se demitiu, recusaram ouvir a ERC, recusaram ouvir a direção do Público, já tinham recusado ouvir o Ministério da Saúde, recusaram ouvir o ex-chefe de Estado Maior do Exército que se demitiu e posso lembrar que realizaram mais do que uma vez uma auditoria externa e independente ao Banif. Este é o padrão, o perfil desta maioria”, afirmou Luís Montenegro durante a intervenção do PSD no debate quinzenal.

Segundo o social-democrata, o comportamento recente do Executivo está a impedir a ação fiscalizadora da Assembleia da República. “O senhor convive bem com isto?”, questionou.

Montenegro lembrou ainda que o chefe do Governo ainda não respondeu às oito questões enviadas pelo PSD sobre a sua intervenção nas negociações com os acionistas do BPI e do BCP.

“Três semanas e meia depois, o primeiro-ministro ainda não arranjou tempo para esclarecer o Parlamento e os deputados do PSD sobre as perguntas que dirigimos a propósito da sua pretensa intervenção do Governo no sistema financeiro, da realização de reuniões com acionistas privados. Isto também é estar a escrutinar e fiscalizar a ação do Governo, a começar no primeiro-ministro”, disse o líder parlamentar do PSD.

Luís Montenegro sustentou que o Chefe de Governo não está a cumprir com a sua obrigação de transparência perante os cidadãos e os deputados. “Está esconder o quê, sr. primeiro-ministro. Há alguma coisa difícil nessas respostas?”, perguntou.

Em resposta, Costa limitou-se a afirmar - à semelhança do que já tinha feito quando falou esta manhã sobre a contratação do amigo Diogo Lacerda - que “quem não deve não teme”.

No passado dia 20 de março, o grupo parlamentar do PSD enviou uma carta a António Costa com 8 perguntas que têm como objetivo central a resposta à questão: "A que título e com base em que competência constitucional ou legal atuou o senhor primeiro-ministro" nos negócios entre a empresária angolana Isabel dos Santos e o sector bancário?