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Comissão de inquérito ao Banif pára na semana que vem

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Carlos Costa e Mário Centeno vão voltar a ser ouvidos, mas o governador só pode depois de 25 de abril. Audição ao ministro podia ser na semana que vem, mas esquerda quer os dois no mesmo dia. Assim, os trabalhos vão parar

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

A comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Banif deverá suspender os trabalhos na semana que vem por causa de dificuldades em agendar uma nova audição do governador do Banco de Portugal. Carlos Costa foi convocado para voltar a ser questionado pelos deputados, assim como o ministro das Finanças, Mário Centeno. As duas audições deveriam acontecer na próxima terça-feira, mas Costa não está em Portugal. Até ao seu regresso, os trabalhos devem ficar suspensos.

O PS pediu para voltar a interrogar Carlos Costa por causa da revelação de que partiu do Banco de Portugal (BdP) a proposta para que o BCE limitasse o financiamento ao Banif, na última semana de existência do banco. Por outro lado, também o PSD e o CDS quiseram voltar a ouvir um protagonista - o ministro das Finanças que, de acordo com a acusação feita ontem pelos sociais-democratas, terá mentido à comissão na audição da semana passada.

Os representantes dos vários partidos na CPI concordaram esta sexta-feira em voltar a chamar ambos os responsáveis e colocaram essas duas audições à frente de quaisquer outras: foi até anunciada a próxima terça-feira como data proposta pelo Parlamento, com Costa a ser ouvido de manhã e Centeno à tarde. Porém, na semana que vem Carlos Costa não estará em Portugal, o que obriga a adiar a sua audição para depois do 25 de abril.

A audição de Mário Centeno poderia manter-se para a tarde da próxima terça-feira, mas, ao que o Expresso apurou, PS, PCP e BE defenderam que a repetição das duas audições deveria acontecer no mesmo dia - se não há Costa, não há Centeno.

Perante a gravidade das acusações que pendem sobre o governador do BdP (o Governo falou em "falha de informação grave") e o ministro das Finanças ("prestou um depoimento falso", segundo o PSD), a CPI irá tirar essas questões a limpo antes de prosseguir para outros depoimentos.