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Assunção Cristas: “Como líder do CDS sou candidata a primeira-ministra, é aí que me quero posicionar”

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ESTELA SILVA

Um mês depois de ter chegado à liderança do CDS, Assunção Cristas diz estar “animada” com o futuro do partido. Conta que Paulo Portas manda-lhe sms “de vez em quando”, mas isso não signifca que este será uma “sombra”

“Como líder do CDS sou candidata a primeira-ministra em eleições legislativas, é aí que eu quero estar e me quero posicionar”, garantiu Assunção Cristas, numa grande entrevista publicado pelo jornal “i” esta sexta-feira. Seria uma novidade no Parlamento, mas é não impossível, até porque António Costa perdeu as eleições e é primeiro-ministro, explicou. E quem seria o parceiro de coligação? O PSD, apesar do “afastamento” do momento.

Mas para as autárquicas em 2017, essa proximidade não parece possível. O representante do partido que se candidatar ao município de Lisboa pode ser “uma pessoa do CDS, pode ser um independente”, mas do PSD só com “muita dificuldade”, explicou.

Os dois partidos de direita vivem fases diferentes neste momento, podemos dizer. Cristas quer mobilizar o capital social que Paulo Portas captou para o CDS nos últimos anos, mas não ficar na sua sobra. “Não tenho medo de ficar na sombra de Paulo Portas, acho que vou ficar é na luz. A herança é forte, cumpre-me pegar nisso e fazer crescer o partido”, disse ao “i”. Mas, ainda assim, conta que Paulo Portas, que tem estado ausente, “de vez em quando” manda-lhe sms. “Quando ele vê ou sabe coisas que acha que eu devo saber e, naturalmente, ele fala com muita gente e tem informação muito específica. E também falamos ao telefone, mas não tem sido numa base diária.”

Passado um mês de ter chegado à liderança do CDS, Cristas diz ter encontrado muita "gente a aproximar-se do partido, fazendo-se militantes ou a colaborar connosco nos estudos que estamos a fazer.” E antevê que o terreno, ao estilo de Paulo Portas, será o espaço privilegiado de captação de militantes e onde quer estar. Durante este mês, aproveitou para tirar uma pequenas férias em família e fazer algumas reorganizações na casa do CDS. Por exemplo, deixaram de ser marcadas reuniões depois das seis da tarde, diz.

Quanto à relação com Nuno Melo, após o congresso do CDS, Assunção Cristas diz que esta tem sido excelente. “Tenho falado várias vezes com ele e estivemos em várias reuniões institucionais”, garantiu. Nem sente que este possa ser uma ameaça, um Plano B, caso a sua força política falhe. "Genuinamente, as pessoas estão satisfeitas, mesmo quem tinha e tem essa ligação com Nuno Melo.”

Ainda assim, admite que “há algumas ideias em matérias de costumes que uma parte do partido não acompanha”, mas assegura que um pluralismo de opinião está garantido e não é negativo.

Para a líder do CDS, o atual governo “prossegue políticas erradas, tem um plano nacional de reversões e não um Plano Nacional de Reformas, esconde o Programa de Estabilidade quando isso é fundamental para avaliarmos criticamente o que vai acontecer nos próximos anos.” Mesmo tendo em conta estes pontos, Assunção Cristas recusa-se a fazer previsões sobre queda de Governo. “Olhe, eu sempre achei que quem chega ao governo desta maneira dificilmente sai do governo. Dito isto, não arrisco nada, acho que os tempos são muito instáveis”, disse ao "i".