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Secretário de Estado demissionário assume diferenças com ministro sobre "a forma de gerir recursos”

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DESACORDOS. João Wengorovius Meneses ao lado do ministro Tiago Brandão Rodrigues no Parlamento

Alberto Frias

João Wengorovius Meneses e o ministro da Educação entraram em choque por causa de nomeações. Novo secretário de Estado toma posse esta quinta-feira

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

"Não saí por nenhum episódio em especial, mas por um avolumar de situações contrárias à minha forma de gerir recursos, pessoas e maneira de estar na política". É assim que o demissionário secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Wengorovius Meneses, explica, em declaração ao Expresso, a saída abrupta do Governo, quatro meses depois da tomada de posse.

Ao que o Expresso apurou, as divergências prendiam-se com a escolha de pessoas para alguns cargos, sendo que nos últimos tempos também a relação entre o secretário de Estado e o seu chefe de gabinete (mais próximo do ministro, Tiago Brandão Rodrigues) se tinha degradado.

O Ministério da Educação não quis comentar as razões da demissão do secretário de Estado, que apanhou de surpresa o PS. Durante o dia corriam versões diferentes sobre os motivos deste desfecho, tendo uma delas a ver com um alegado atraso na entrega de um relatório à Agência Mundial Anti-Dopagem.

A notícia e o modo como a demissão foi conhecida criaram ainda mais surpresa entre os socialistas, uma vez que Wengorovius tem uma relação de grande confiança com o primeiro-ministro.

A demissão de João Wengorovius Meneses foi conhecida na quarta-feira, através de nota da Presidência a dar conta que na quinta-feira haveria um novo secretário de Estado da Juventude e Desporto a tomar posse juntamente com os novos ministro e secretário de Estado da Cultura. Horas depois, no Facebook, o próprio escrevia: "Deixo hoje o XXI Governo Constitucional, convicto de que tinha um bom projeto e uma excelente equipa – e de que estávamos no caminho certo – contudo, em profundo desacordo com o sr. ministro da Educação no que diz respeito à política para a juventude e o desporto, e ao modo de estar no exercício de cargos públicos".

João Wengorovius Meneses, 41 anos, chegou à secretaria de Estado da Juventude e do Desporto depois de um caminho ascendente na Câmara de Lisboa, onde se aproximou de António Costa. Formado em gestão pela Universidade Católica e com um mestrado do ISCTE, era diretor do Centro de Inovação da Mouraria, um espaço que apoiava o desenvolvimento de start ups de indústrias criativas, como a moda e o design.

Antes, passou por vários projetos de voluntariado e foi coordenador do Gabinete de Apoio ao Bairro de Intervenção Prioritária na Mouraria. Foi nessa qualidade que, em 2014, apoiou a criação da primeira sala de chuto, na zona do Martim Moniz.

Numa entrevista ao jornal "Público" após a tomada de posse, justificou a relação com o primeiro-ministro pelos projetos em que trabalharam juntos na autarquia. “Um dos desafios que me fez, que mais marcou a minha passagem pela autarquia, foi coordenar a reabilitação da Mouraria, apesar de eu não ser engenheiro ou arquiteto e de nunca ter intervindo ao nível da reabilitação urbana”.
É sobrinho pelo lado materno de Vítor Wengorovius, advogado e militante fundador do MES, um grupo de esquerda no PS e onde militaram Ferro Rodrigues e Jorge Sampaio. Escreveu dois livros, um sobre gestão e outro de crónicas.


Novo secretário de Estado com passagem polémica pela Movijovem

O novo secretário de Estado da Juventude e Desporto, que toma posse quinta-feira, é João Paulo Rebelo, licenciado em Gestão, deputado do PS na Assembleia da República, eleito por Viseu e vereador naquele município.

É muito amigo de Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, e foi presidente da Movijovem (entidade que fazia a gestão das Pousadas da Juventude), nomeado pelo então ministro da Presidência Pedro Silva Pereira, no primeiro Governo de José Sócrates. À frente da Movijovem, Rebelo esteve nos holofotes mediáticos por causa de obras que fez nas Pousadas da Juventude.

O secretário de Estado do Desporto de Passos Coelho, Emídio Guerreiro, levantou mais tarde dúvidas sobre a legalidade de algumas dessas obras, nomeadamente em Évora, tendo enviado uma auditoria para o Ministério Público.

João Paulo Rebelo, de 41 anos, deverá ser substituído na Assembleia da República por José Rui Cruz, enfermeiro, ex-vereador na Câmara de Santa Comba Dão que já foi deputado entre 2009 e 2011.

Texto publicado na edição do Expresso diário de 13/04/2016