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Novo secretário de Estado do Desporto esteve envolvido em polémica sobre área que vai tutelar

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ALBERTO FRIAS

João Paulo Rebelo, o novo secretário de Estado da Juventude e Desporto, durante o primeiro Governo de Sócrates teve uma passagem polémica pela Movijovem por causa das obras que fez nas pousadas da juventude. A nomeação da direção da Movijovem foi um dos pontos em que Tiago Brandão entrou em conflito com João Wengorovius Meneses

Tem sido uma semana atribulada para o Governo de António Costa: em quatro dias, duas demissões. Depois do ministro da Cultura, agora é a Educação que faz abanar o Executivo. Segundo revela o "Diário de Notícias" esta quinta-feira, o ex-secretário de Estado da Juventude e Deporto, João Wengorovius Meneses, demitiu-se devido às constantes interferências do ministro Tiago Brandão Rodrigues no seu gabinete. A gota de água final terá sido a tentativa de exoneração de uma adjunta sua.

Entre as várias queixas apresentadas, João Wengorovius Meneses refere que o ministro da Educação terá também tentado interferir nas nomeações do ex-secretário de Estado para institutos na sua dependência, o Instituto Português do Desporto e da Juventude e a Movijovem – entidade responsável pela gestão das pousadas de juventude.

Como o Expresso já tinha noticiado esta quarta-feira, João Paulo Rebelo, o novo secretário de Estado da Juventude e Deporto, teve uma passagem polémica pela presidência da Movijovem, durante o primeiro Governo de José Sócrates, por causa das obras que fez nas pousadas da juventude. Durante o Governo de Passos Coelho, o secretário de Estado Emídio Guerreiro levantou dúvidas sobre a legalidade destas, tendo enviado uma auditoria para o Ministério Público.

Grupo Lena e Movijovem

Foi notícia em 2011 que a Movijovem, entidade tutelada pelo então secretário de Estado da Juventude e do Desporto Laurentino Dias, e presidida por João Paulo Rebelo, fez pagamentos adiantados de quase 900 mil euros a nove empresas sem que estas iniciassem as obras contratadas para a reabilitação e melhoria da eficiência energética de várias pousadas. Algumas destas obras nunca se chegaram a concretizar. Entre os nomes das empresas destaca-se o Grupo Lena, que está a ser investigado no âmbito da “Operação Marquês”.

A Monterg, empresa responsável pelo isolamento térmico nas Pousadas da Juventude, e a Eco-Choise, consultora contratada pela Movijovem para escolher as firmas que deveriam ser contratadas, tinham ambas relações com o Grupo Lena. A primeira era parte do grupo e a segunda foi fundada com capitais do grupo.

"A Eco-Choice apareceu em agosto de 2009, quando o Ministério das Finanças nos dá 20 dias para preparar todo o projeto", justificou João Paulo Rebelo ao "Correio da Manhã", em 2011. De acordo com o ex-presidente da Movijovem, a Eco-Choice foi sugerida por Alexandra Alvarez, vogal da direção da Movijovem, na época. "Alexandra Alvarez tinha conhecimento da Eco-Choice e a empresa foi convidada pela direção da Movijovem para apresentar uma proposta", disse. O contrato foi realizado por ajuste direto.