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Vasco Lourenço pede que nenhum general aceite a chefia do Estado-Maior do Exército

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António Pedro Ferreira

Militar de Abril junta a sua voz ao coro de protestos contra o ministro da Defesa Nacional, a propósito da demissão do chefe do Estado-Maior do Exército

A pressão sobre o do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, continua a crescer. Esta quarta-feira, em entrevista ao jornal "i", Vasco Lourenço defendeu que seja bloqueado o processo de substituição de Carlos Jerónimo, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, que se demitiu do cargo na semana passada na sequência de uma reportagem do jornal online "Observador", que aborda o tabu da homossexualidade dentro do Colégio Militar. “O desejável é que os generais que venham a ser convidados a seguir digam que não”, afirmou Vasco Lourenço.

O militar de Abril prometeu ainda para hoje uma tomada de posição da Associação 25 de Abril, a que preside, sobre a demissão do Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), o onde irá “felicitar a atitude do general Carlos Jerónimo, criticar a atitude do ministro, e não só, e manifestar preocupação”.

Este apelo não é novo. Na terça-feira, em texto de opinião publicado no site do Expresso, Ricardo Durão, general do Exército, fez um apelo no mesmo sentido. E pediu a demissão de Azeredo Lopes. “Felicito a decisão tomada pelo chefe do Estado-Maior, como felicitarei os generais que recusem a nomeação para o substituir, enquanto for mantido em funções o atual ministro", escreveu o general Ricardo Durão.

As edições desta quarta-feira do "Correio da Manhã" e do "Diário de Notícias" também falam sobre este caso. Garcia Leandro, ex-vice-chefe do Estado-Maior do Exército, numa carta publicada no "DN", deixa um aviso ao ministro da Defesa: “Se voltar a repetir este procedimento com outros chefes de Estado-Maior, é provável que saia o ministro em vez do chefe de Estado-Maior em causa”. Já o general Loureiro dos Santos, em declarações ao "CM", refere-se a Azeredo Lopes como um ministro "fragilizado".

Desde a demissão de Carlos Jerónimo do cargo de chefe do Estado-Maior do Exército, vários militares têm manifestado incómodo com a tomada de posição pública do ministro sobre as declarações do subdiretor da instituição, na reportagem no jornal online "Observador". Este afirmou: “Nas situações de afetos [homossexuais], obviamente não podemos fazer transferência de escola. Falamos com o encarregado de educação para que percebam que o filho acabou de perder espaço de convivência interna e a partir daí vai ter grandes dificuldades de relacionamento com os pares. Porque é o que se verifica. São excluídos”.