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Polémica no Exército: BE ao lado do ministro da Defesa

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Pedro Filipe Soares diz que declaração de Azeredo Lopes sobre caso do Colégio Militar é “aceitável e defensável” por defender publicamente um valor fundamental, o da não discriminação em função da orientação sexual

Para o Bloco, o mais importante no processo que levou à demissão do chefe de Estado Maior do Exército (CEME), Carlos Jerónimo, é a “existência de discriminação em função da orientação sexual”, que foi “naturalizada" pelas declarações da própria direção do Colégio Militar (CM). Por isso mesmo, o deputado Pedro Filipe Soares considera que a atuação e a declaração do ministro da Defesa na sequência das declarações do subdiretor da instituição, tenente-coronel António José Ruivo Grilo, foi “aceitável e defensável” porque sai em “defesa de um valor fundamental e num contexto público, até para salvaguardar a tranquilidade dos cidadãos, sobretudo dos que tem filhos a estudar no CM”.

No âmbito dos esclarecimentos que o BE já pediu, será debatido esta quinta-feira, na subcomissão de igualdade, o requerimento para ouvir os diretores do colégio e, com isso, “clarificar a naturalização que publicamente foi feita por eles de casos de discriminação em função da orientação sexual”.

Entretanto, se para o Bloco o mais importante neste processo é a existência de discriminação, para o PSD a grande preocupação é o mal-estar no seio do Exército. O deputado Pedro Roque lembrou que o PSD já solicitou a audição tanto do ministro da Defesa como do ex-CEME, que deverá acontecer dia 26, porque considera que os esclarecimentos de ambos são essenciais não só para resolver o problema como, sobretudo, para pôr cobro a “um clima que consideramos grave e que existe no seio da instituição militar e no Exército".

Pedro Roque sublinha que "as questões relacionadas com as forças armadas e com o Exército são questões de soberania e demasiado importantes para que sejam levadas na onda mediática”, mas que não podem ignorar o facto estar criado um ambiente que levou inclusive "um conjunto de militares prestigiado na reserva a transmitirem um mal-estar que põe em causa a coesão do exercito”, o que é no seu entender "uma situação preocupante”.

Sobre a substituição do CEME, o deputado social-democrata diz que há um procedimento que deve ser "necessariamente rigoroso e não deve demorar demasiado tempo”, mas realça que não deve haver precipitação. Por isso, conclui: "Aconselhamos ao ministro da Defesa que haja alguma ponderação na escolha do substituto do CEME”.

Quanto ao Colégio Militar, o PSD assume que não vai fazer nenhuma diligência para ouvir a direção do mesmo, por considerar ser "uma questão diferente que tem a ver com a subcomissão de igualdade" e não com a comissão de defesa.