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Oficiais ponderam jantar de homenagem a ex-CEME

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Tiago Petinga

Militares indignados podem mostrar solidariedade com Carlos Jerónimo. Caso assemelha-se ao jantar de desagravo a Silva Viegas, que se demitiu em 2003 em rota de colisão com o ministro

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Os oficiais das Forças Armadas estão a ponderar organizar um jantar de homenagem ao general Carlos Jerónimo, que se demitiu na semana passada do cargo de Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME) na sequência da polémica sobre a alegada discriminação de alunos homossexuais no Colégio Militar.

"Trata-se de um camarada e um militar muito estimado no Exército", afirmou ao Expresso o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas, coronel Pereira Cracel, explicando que a associação admite vir a fazer uma homenagem. Esse ato, contudo, não deve vir a ser confundido com um protesto contra o poder político, sublinha. "Não questionamos os ministros, nem nos compete questionar", diz.

Em 2003, o então Chefe do Estado-Maior do Exército, Silva Viegas, demitiu-se alegadamente por ter perdido a confiança no então ministro Paulo Portas, tendo sido organizado um jantar de desagravo em que participaram vários generais.

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, irá ao Parlamento no dia 26 prestar esclarecimentos sobre a demissão do CEME, mas os partidos de esquerda travaram esta quarta-feira o pedido de audição do general.

Nos últimos dias, tem aumentado o coro de críticas a Azeredo Lopes, com vários militares a acusar o ministro de "ingerência" na cadeia de comando militar.

Esta quarta-feira, em entrevista ao jornal "i", Vasco Lourenço tinha apelado a que nenhum general aceitasse substituir Carlos Jerónimo como forma de protesto. “O desejável é que os generais que venham a ser convidados a seguir digam que não”, afirmou Vasco Lourenço.

Este apelo não é novo. Na terça-feira, em texto de opinião publicado no site do Expresso, Ricardo Durão, general do Exército, fez um apelo no mesmo sentido. E pediu a demissão de Azeredo Lopes. “Felicito a decisão tomada pelo chefe do Estado-Maior, como felicitarei os generais que recusem a nomeação para o substituir, enquanto for mantido em funções o atual ministro", escreveu o general Ricardo Durão.

Garcia Leandro, ex-vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, numa carta publicada no "DN", tinha deixado também um aviso ao ministro da Defesa: “Se voltar a repetir este procedimento com outros chefes de Estado-Maior, é provável que saia o ministro em vez do chefe de Estado-Maior em causa”. Já o general Loureiro dos Santos, em declarações ao "CM", referiu-se a Azeredo Lopes como um ministro "fragilizado".

Já o ex-Chefe de Estado-Maior da Armada, Vieira Matias, em declarações esta quarta-feira no Fórum TSF declarou que "o houve aqui foi uma certa falta de senso no tratamento do problema. Parece-me que estas questões entre o patamar político e o patamar militar têm de ser tratados, não na praça pública, mas no recato do gabinete, nas trocas de impressões, porque quando vêm para a praça pública é o que diz que disse, o que diz que não disse, e o escrevi e não escrevi e as coisas complicam-se".