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Mesmo com “Plano B”, salários e pensões são “intocáveis”

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MIGUEL A. LOPES/LUSA

Mesmo se for preciso um “Plano B” para cumprir as metas orçamentais, o Governo já decidiu as suas linhas vermelhas, garante Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares

Os salários e as pensões dos portugueses "são intocáveis". Esta garantia é deixada por Pedro Nuno Santos, secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, em entrevista à "Renascença", no programa "Terça à Noite".

Mesmo se for preciso um "Plano B" para cumprir as metas orçamentais, o Governo já decidiu as suas linhas vermelhas: "Nós não adotaremos nenhuma solução que passe por cortar salários, cortar pensões, aumentar impostos sobre os rendimentos, aumentar o IVA sobre bens essenciais. Há um conjunto de matérias que para nós são intocáveis. Estas que acabei de dizer. As matérias que estão inscritas nos acordos com PCP, Bloco e Verdes são para nós sagradas", garante Pedro Nuno Santos.

Quanto a uma possível entrada do Bloco de Esquerda e do PCP para o Governo, disse que essa possibilidade "não está em cima da mesa". E a atual solução governativa é "cansativa". "É cansativo, é desgastante, mas é entusiasmante sentirmos que ao fim de mais de quatro décadas de democracia, finalmente, a esquerda consegue trabalhar em conjunto", justifica.

Em 2011, o atual secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares esteve envolvido numa polémica, quando afirmou que "os alemães que se ponham finos ou não pagamos a dívida”. Mas depois do que aconteceu à Grécia, diz já não defende essa tese. "Não apelei exatamente ao não pagamento, mas à utilização da dívida como instrumento negocial. (...) A única experiência de estratégia de confronto em matéria de reestruturação da dívida fracassou [na Grécia]. Esse não é, obviamente, o caminho deste Governo nem o caminho que eu partilho", diz na entrevista à Renascença.