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Marcos Perestrello: “Azeredo Lopes nunca exigiu a demissão a ninguém”

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Marcos Borga

Secretário de Estado sai em defesa do ministro e avança com a sua versão dos acontecimentos que levaram à demissão do chefe do Estado-Maior do Exército

O ministro da Defesa nunca fez declarações públicas sobre a alegada discriminação de alunos homossexuais no Colégio Militar nem exigiu a demissão de quem quer que fosse, afirmou esta manhã na TSF o secretário de Estado da Defesa Marcos Perestrello, explicando o empolamento deste caso pela forma como, em seu entender, tem sido tratado pela comunicação social.

“Essa falta de rigor tem estado a inquinar o debate”, começou por afirmar o governante, assegurando, logo a seguir, que “o ministro da Defesa nunca fez declarações públicas sobre este assunto e muito menos exigências ao Exército sobre o que quer que fosse”. E acrescentou: “O ministro da Defesa nunca exigiu a demissão a ninguém [entenda-se da direção do Colégio Militar]. Isso poderia ser interpretado como uma ingerência na cadeia de comando.”

Para o secretário de Estado da Defesa, o ministro Azeredo Lopes limitou-se a tomar a “atitude normal de qualquer governante perante a nota pública de uma situação de discriminação num estabelecimento de ensino como é o Colégio Militar, que tem uma tradição notável de integração, por exemplo, no domínio racial”.

“É normal que o ministro da Defesa pergunte ao chefe do Estado-Maior do Exército [general Carlos Jerónimo] o que pensa fazer sobre aquele assunto e fê-lo alguns dias depois da nota pública”, acrescentou Marcos Perestrello.

Recorde-se que as declarações do subdiretor do Colégio Militar sobre uma alegada discriminação de alunos homossexuais consta de uma reportagem publicada no jornal online “Observador” a 1 de abril, sexta-feira.

Segundo o secretário de Estado, ao informar o “Diário de Notícias” dessa iniciativa, a 5 de abril, o gabinete do ministro da Defesa também deu outra “nota pública”. “A posição oficial do gabinete não são declarações públicas”, argumentou Perestrello.

Feito esse esclarecimento, o secretário de Estado disse ainda que o pedido de esclarecimento dirigido por Azeredo Lopes ao general Carlos Jerónimo foi feito “de forma comedida” e que “é falso que o ministro tenha desautorizado do chefe de Estado-Maior do Exército”.

“A única coisa que o ministro da Defesa fez, e bem, foi pedir ao chefe de Estado-Maior do Exército informação sobre o que tencionava fazer sobre uma situação que foi pública”, insistiu Marcos Perestrello.

De acordo com o secretário de Estado da Defesa, em resposta ao pedido de esclarecimento o general Carlos Jerónimo informou o ministro de que já estava prevista, para o início de maio, uma inspeção no Colégio Militar. E a situação teria ficado por aí se o chefe de Estado-Maior do Exército não tivesse telefonado a Azeredo Lopes a dar conta de que iria apresentar o seu pedido de demissão. “Foi uma decisão do próprio. Nem sequer foi sugerida”, assegura Marcos Perestrello.

Quando o jornalista Manuel Acácio, da TSF, lhe perguntou se o ministro sai fragilizado deste episódio, o secretário de Estado começou por recusar responder, dizendo que não era analista político. Mas recorrendo a um lugar comum concluiu: “Aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes”. E acrescentou: “Temos de serenar a discussão e fazê-la de forma rigorosa”.

E a melhor forma de conseguir acalmar os ânimos passa, na opinião do secretário de Estado da Defesa, pela nomeação de um novo chefe do Estado-Maior do Exército, decisão que, espera Marcos Perestrello, seja tomada esta quinta-feira em Conselho de Ministros.