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Marcelo, “europeísta incorrigível”, com discurso pacificador em Estrasburgo

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VINCENT KESSLER/REUTERS

O Presidente da República discursou esta manhã no Parlamento Europeu. Sublinhou os esforços feitos pelos portugueses durante o programa de resgate e o compromisso com o controlo do défice e da dívida, mas falou da necessidade de se compensar os sectores sociais mais sacrificados

Marcelo veio a Estrasburgo para “pacificar, desdramatizar, cicatrizar feridas, reconstruir consensos”. O Presidente da República discursou esta manhã perante os eurodeputados, recordou o esforço que o país fez para sair de forma limpa do programa de resgate financeiro e saiu em defesa do novo Governo e da estratégia para “começar a compensar sectores sociais mais sacrificados no passado recente”.

O Presidente da República assume a diferença “doutrinária” com a atual maioria parlamentar, mas explica que o Governo de António Costa – ainda que tenha seguido um “caminho diverso” do anterior – é também “europeísta” e “respeitador dos compromissos internacionalmente assumidos”.

VINCENT KESSLER / Reuters

Marcelo falou do controlo do défice e da dívida e dos equilíbrios financeiros “que Portugal quer continuar a garantir”, contrapondo no entanto que é preciso também compensar os “sectores sociais mais sacrificados”.

“A minha mensagem é, pois, clara: estabilidade, recusa de crises políticas a somar às questões económicas e sociais, procura de convergências alargadas”, apelou em Estrasburgo, sublinhando ainda o “reforço do sistema financeiro – de que um passo recente pode ser um bom sinal –, e o desejo sincero de que tenha pleno sucesso o caminho exigente de compatibilização entre rigor financeiro e preocupações sociais, assentes em crescimento pelo dinamismo do mercado interno”.

Na casa da democracia europeia, Marcelo lembrou ainda a passagem da ditadura à democracia, a chave que permitiu a Portugal entrar para a então CEE. “Eu pertenço a uma geração de portugueses para a qual a Europa e a integração nesta foram um sonho, inseparável da democracia, da descolonização, do desenvolvimento económico e da justiça social”, disse.

Marcelo Rebelo de Sousa, “europeísta incorrigível”, recorda o contributo que ele próprio deu para que Portugal aderisse, anos mais tarde, à moeda única. Era então líder do PSD na oposição e viabilizou “três Orçamentos do Estado a um Governo minoritário, contribuindo assim para a entrada de Portugal na zona euro”.

Marcelo cumprimenta Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, à chegada a Estrasburgo

Marcelo cumprimenta Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, à chegada a Estrasburgo

José Sena Goulão/Lusa

Num discurso de 20 minutos, Marcelo falou ainda do “orgulho” sentido na escolha de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia e no trabalho de “rigorosamente todos” os eurodeputados portugueses.

Ainda sobre os esforços feitos pelo país, recordou que “para se ajustar às regras europeias, Portugal viu-se obrigado a dar em 12 anos os passos que economias mais fortes haviam dado em mais de 40”.

Marcelo falou também dos desafios que se colocam à União Europeia. “A Europa com que sonho quer manter-se unida e solidária, interna e externamente, atenta a possíveis chegadas, desejando que não haja partidas”, disse numa referência clara ao referendo à permanência do Reino Unido no bloco.

O Presidente português defende que as soluções têm de ser conjuntas, também para a crise de refugiados onde pede que “as questões de fundo não sejam esquecidas, sob a premência de meros acordos de curto prazo, que se espera não se revelem questionáveis ou insuficientes”.

Um discurso que começou com duas frases em francês e alemão – continuou em português – e terminou em inglês, com referência a um Portugal que “atravessou mares e terras distantes mas que nunca esqueceu que pertence à terra de Homer, Shakespeare, Goethe, Proust, Cervantes, Dante, Joyce, Strindberg, Kundera, Kafka, Szymborska e Pessoa”.