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Generais apertam cerco ao ministro da Defesa

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PAULO NOVAIS / LUSA

Depois da Associação de Oficiais das Forças Armadas e do general Loureiro dos Santos criticarem actuação do ministro da Defesa, o general Garcia Leandro escreve uma carta aberta, sugerindo a demissão de Azeredo Lopes

O ex-vice-Chefe de Estado-Maior do Exército general Garcia Leandro escreveu uma carta aberta a José Azeredo Lopes esta terça-feira no DN, onde avisa o ministro da Defesa de que "se voltar a repetir este procedimento com outros CEM (Chefes de Estado-Maior), é provável que saia o ministro em vez do Chefe de Estado-Maior em causa".

Referindo-se à recente polémica sobre a alegada discriminação do Colégio Militar (CM) em relação a alunos homossexuais, que levou à demissão na sexta-feira passada do CEME, general Carlos Jerónimo, Garcia Leandro começa por ressalvar que os alunos do Colégio Militar "não são militares, cadetes ou soldados, são apenas estudantes integrados numa instituição com dupla ligação", ao Ministério da Educação na parte académica e ao Estado-Maior do Exército/Ministério da Defesa nas componentes institucionais, desportivas e militares. Realça ainda que falou com vários pais, que "o CM tem procedimentos de acompanhamento que são de elogiar" e que "ali não existe qualquer discriminção".

Garcia Leandro acusa o ministro de se ter assustado "sem qualquer razão, com as declarações do BE" e de ter pressionado o CEME na comunicação social, o que levou à sua demissão, mas garante que o general Carlos Jerónimo "saiu engrandecido de toda esta triste novela".

A terminar, Garcia Leandro avisa Azeredo Lopes, dizendo que "se voltar a repetir este procedidmentos com outros CEM, é provavel que saia o ministro".

Já na segunda-feira o presidente da Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) depois de ter considerado “estranhas e incompreensíveis” as afirmações do subdirector do CM, tenente-coronel António Grilo, sobre discriminação dos alunos homossexuais, acabou por acusar o ministro da Defesa de “desconsiderar as Forças Armadas”. “Terá sido no mínimo inábil. A forma como abordou a questão desautorizou, desconsiderou as Forças Armadas, no seu todo, pela forma como lidou com toda esta situação e, em particular, a instituição Exército e o seu chefe de Estado Maior”, afirmou Pereira Carcel em declarações à Renascença.

Recorde-se que o CEME, general Carlos Jerónimo, pediu a demissão na passada sexta-feira, depois do ministro da Defesa ter exigido publicamente explicações ao CEME e o afastamento do subdirector do CM. O CEME não gostou da ingerência e acabou por apresentar a demissão.

Para o general Loureiro dos Santos, o ministro da Defesa também foi, no mínimo, “pouco hábil” na forma como lidou com o caso, uma vez que na sua opinião estes problemas devem ser tratados “sempre com uma certa atenção” e, desta feita, falhou no diálogo entre o ministro da Defesa e os militares. Loureiro dos Santos diz ainda que “o chefe de Estado Maior não pode sentir-se desautorizado” e “deve ter permanentemente o enquadramento e o apoio do chefe político”.

Entretanto, o ministro da Defesa Nacional já iniciou os procedimentos visando a substituição do general Carlos Jerónimo.