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Costa e Costa de acordo sobre banco mau

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José Carlos Carvalho

O primeiro-ministro e o governador do Banco de Portugal convergem na defesa de um veículo para ficar com os ativos tóxicos dos principais bancos e já falaram sobre isso

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Apesar das tensões recentes, se há matéria em que o primeiro-ministro, António Costa, e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, estão de acordo é na criação de uma espécie de banco mau para limpar o sistema bancário de ativos tóxicos. Costa defendeu-no fim de semana, em entrevista ao DN/TSF, mas a ideia é defendida também pelo governador.

Em entrevista ao Expresso, em fevereiro, Carlos Costa referiu-se abertamente a esta possibilidade, defendendo como "desejável" que houvesse "soluções para retirar do balanço dos bancos os ativos punitivos, através da sua colocação em veículos que permitissem depois a sua venda a investidores finais".

"Não é preciso chamar bad bank. Pode criar-se veículo, como se fez em Espanha, onde são colocados ativos que não são core dos bancos, que não geram rendimento ou que precisam de muito tempo para gerá-lo", explicou na altura o governador do Banco de Portugal, revelando que já havia falado disso com o Governo ("Sim, mas isso fica nos gabinetes") e que esse mecanismo, a ser criado, deve partir de uma "solução europeia ou com apoio europeu".

Na entrevista ao DN/TSF, o primeiro-ministro insiste na mesma ideia. Defende um "veículo de resolução do crédito malparado" dos maiores bancos portugueses. "Temos de trabalhar com as instituições regularias, com as instituições financeiras na resolução dos chamados "Non Performance Loans" [crédito mal parado] e acho que era útil para o país encontrar um veículo de resolução do crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais ativa nas necessidades de financiamento das empresas portuguesas", explicou.

As reações dos partidos foram prudentes. CDS quer esperar para perceber que proposta é esta. O PSD remeteu-se ao silêncio, embora o ex-ministro Morais Sarmento diga que é uma proposta que o PSD "não pode recusar à partida". O PCP recusou liminarmente tal ideia, enquanto o BE admitiu a necessidade de Portugal evitar ter uma banca "zombie" mas frisou que "se os contribuintes puserem dinheiro, então têm de ter a propriedade daquilo que salvam".

Na semana passada, Carlos Costa voltou a defender a criação de um novo veículo, em audição na comissão de inquérito ao Banif, recordando os exemplos da Irlanda e da Espanha, mas reconheceu que isso não foi para a frente porque se estaria "a criar uma restrição adicional no financiamento disponível para a economia".