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PCP em silêncio sobre Diogo Lacerda Machado, Bloco diz que Costa agiu com “sobranceria”

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ANTÓNIO COTRIM / LUSA

PCP não reagiu às declarações de António Costa sobre o contrato que teve de fazer "a contragosto" com o seu amigo pessoal, para que este continue a representar o Estado em negócios. Bloco de Esquerda diz a questão tem de ser esclarecida pois “não pudemos ter um consultor sombra do governo”

O presidente do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, Pedro Filipe Soares, disse que o primeiro-ministro António Costa agiu com “alguma sobranceria” no modo como agiu em relação do seu amigo Diogo Lacerda Machado e as funções que desempenhou para o Estado português.

"Não nos fazia sentido que Diogo Lacerda Machado não tivesses sequer uma ligação ao Estado e pudesse representar o Estado", afirmou falando esta segunda-feira à noite na SIC Notícias.

Filipe Soares disse que “não podemos ter um consultor sombra do governo”, sendo por isso “necessário que não subsistam qualquer dúvidas” sobre o assunto.

O deputado diz que o Bloco acompanha o pedido do PSD para Diogo Lacerda Machado seja ouvido em audição, pretendendo também ter acesso ao contrato com ele firmado.

Anteriormente nem o BE nem o PCP haviam reagido às declarações do primeiro ministro que, numa entrevista à TSF e ao Diário de Noticias, afirma ter assinado "a contragosto" um contrato com Diogo Lacerda Machado, o amigo pessoal que tem representado o Estado em várias negociações.

António Costa assume que o seu "melhor amigo" só não integrou o elenco governativo por "razões pessoais", não ligadas a questões financeiras, mas que dada a sua "relação próxima", aceitou colaborar no que fosse útil. E foi precisamente Diogo Machado quem o primeiro-ministro indicou para ajudar no dossiê da TAP, como consultor. Liderou também as negociações entre o Banco de Portugal (BdP) e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) com vista a chegar a um entendimento com os lesados do BES. E foi ainda interveio nas reuniões entre Isabel dos Santos e o catalão Caixabank no caso BPI.

A ajuda que era informal passou a ser formal com a celebração de um contrato, anunciou o primeiro-ministro. Contrato esse que na opinião de António Costa obriga o Estado a gastar "um dinheiro que podia não ser gasto". Esta segunda-feira o PSD, através do vice-presidente do grupo parlamentar, Luis Leite Ramos, disse ter ficado "perplexo" com a perspetiva de que "um primeiro-ministro entenda que a representação do Estado possa ser feita por amigos pessoais e sem qualquer tipo de contrato" e também por isso requereu o acesso ao contrato.

Contactado pelo Expresso, o BE, através de um assessor, afirmara que "por enquanto não vai fazer nenhum comentário", já que o "fará na comissão" de Economia. Quanto aos comunistas que estão reunidos em jornadas parlamentares em Vila Real, não houve qualquer reação até ao fim desta tarde.

Além de amigo pessoal de longa data do primeiro-ministro, Diogo Machado foi secretário de Estado da Justiça quando António Costa liderou essa pasta no ultimo governo de António Guterres.

Em fevereiro o PSD pediu que Diogo Lacerda Machado fosse ouvido no Parlamento e o presidente da comissão de Economia, Helder Amaral, confirmou que Lacerda Machado vai ser ouvido no próximo dia 27 de abril. Em causa está o envolvimento do advogado no processo de reversão da privatização da TAP.