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“Baixou a febre, mas a doença está lá”: Costa e Tsipras assinam documento antiausteridade

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ALEXANDROS VLACHOS / EPA

Após a assinatura de uma declaração conjunta contra a austeridade, o primeiro-ministro defendeu em Atenas que Portugal e a Grécia não devem trabalhar com a União Europeia numa lógica de confrontação, mas de forma construtiva. “Baixou a febre, mas a doença está lá. Chama-se assimetria económica. É preciso dar um novo impulso à convergência entre as nossas economias e as economias mais desenvolvidas”, disse António Costa

Em Atenas, António Costa e Alexis Tsipras assinaram esta manhã uma declaração conjunta sobre a austeridade e a crise dos refugiados, após um encontro entre os dois governantes. No documento, os primeiros-ministros de Portugal e da Grécia criticam a receita política da União Europeia nos últimos anos, prometendo ainda cooperação no âmbito da resposta à crise migratória.

“A declaração conjunta que hoje assinámos significa a vontade de trabalharmos com 26 parceiros da União Europeia para termos uma UE mais solidária, com uma economia com mais crescimento e criação de emprego que reconcilie os europeus com o projeto [europeu]”, afirmou António Costa, numa conferência de imprensa conjunta com Alexis Tsipras.

Insistindo na necessidade de virar a página da austeridade, o primeiro-ministro considerou que só com o fim da prossecução desta política é que é possível melhorar a competitividade e retomar a trajetória de crescimento nos dois países. “Durante muito tempo a Europa neoliberal queria impor um pensamento único, que não havia alternativas e agora está a demonstrar o contrário Portugal, a Grécia e outros países.”

Costa defendeu ainda que cabe aos dois países trabalhar com a União Europeia de “forma construtiva” e não numa lógica de “confrontação”. “Baixou a febre, mas a doença está lá. Chama-se assimetria económica. (...) É preciso dar um novo impulso à convergência entre as nossas economias e as economias mais desenvolvidas [da zona euro]”, sustentou.

Ainda que admita que a Europa aprendeu com os erros do passado, dispondo hoje em dia de mais instrumentos comuns do que há seis anos para enfrentar a crise, Costa sublinhou que as diferenças persistem. “Temos todos beneficiado muito da nova atuação do BCE, com a redução geral das taxas de juro, mas não nos devemos deixar iludir que essa redução significou a redução estrutural das assimetrias entre as economias”, acrescentou.

Falando no caso português, o primeiro-ministro afirmou que o fim do programa de ajustamento não correspondeu à resolução dos problemas estruturais: “Por isso temos preparado o Programa Nacional de Reformas que vamos apresentar a Bruxelas no final deste mês”, frisou.

Cinco anos de “grande catástrofe”

Alexis Tsipras afirmou, por seu turno, que a Grécia viveu uma “grande catástrofe” entre 2010 a 2015, devido às políticas seguidas pelo anterior governo, sublinhando que o país necessita de mais tempo para terminar o programa de ajustamento. “Temos que fazer o ajustamento da nossa economia. Precisamos que nos cedam mais tempo para que possamos ultrapassar isto e chegar a uma solução, para que posamos adquirir também uma vida normal e que os mercados tenham confiança na nossa economia para termos desenvolvimento económico”, declarou o primeiro-ministro grego.

Tsipras elogiou ainda a assinatura da declaração conjunta com o primeiro-ministro português, frisando que corresponde a uma nova visão para a Europa. “Pensamos que este acordo bilateral foi muito positivo, para que possamos voltar aos valores que defendemos e para que haja uma luta comum que passe pela aposta noutra estratégia para enfrentar os problemas económicos, que não seja através de mais medidas de austeridade.”

Relativamente à crise dos refugiados, Portugal e a Grécia prometem no documento assinado pelos dois chefes do governo “cooperar para fazer com que a União Europeia dê os passos necessários para a efetivação de uma política migratória efetiva nas suas fronteiras externas”.