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Jerónimo de Sousa considera declarações de Draghi “inaceitável ingerência”

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EDUARDO COSTA/LUSA

O líder comunista falava em Ponta Delgada, Açores, no encerramento do X Congresso da Organização da Região Autónoma dos Açores do PCP, onde condenou as afirmações proferidas em Portugal pelo presidente do Banco Central Europeu

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, classificou este domingo como "inadmissíveis e de inaceitável ingerência" as declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi.

"Temos afirmado o direito do país e dos portugueses a um desenvolvimento soberano livre da submissão à dependência e ao declínio que nos querem impor, um direito que nos querem negar em nome dos interesses do capital transnacional, dos chamados mercados, do diretório de potências que comanda o processo de integração capitalista da União Europeia", disse Jerónimo de Sousa, em Ponta Delgada, Açores, no encerramento do X Congresso da Organização da Região Autónoma dos Açores do PCP.

Para o líder do PCP, "o atrevimento é tal que já nem os mentores deste caminho procuram disfarçar".

"As afirmações inadmissíveis e de inaceitável ingerência de Mário Draghi, presidente do BCE, tornadas públicas pela comunicação social, são disso exemplo", adiantou, referindo que aquelas quiseram reafirmar "o caminho de desastre e exploração que faz as delícias da Comissão Europeia e do BCE".

Segundo Jerónimo de Sousa, "para Draghi isso já não é suficiente", tratando-se "agora de recomendar a alteração às leis eleitorais e a revisão da Constituição da República".

"As intenções ficam para quem as assume, o que importa sublinhar é que este atrevimento, para lá da conceção neocolonial que comporta" é explicável "pela subserviência que as instituições europeias encontraram na política de direita e de modo particular na governação de PSD/CDS dos últimos anos", acrescentou.

Para o secretário-geral comunista, "eles onde sentem mole carregam sempre mais", considerando que "é este o rumo" que querem impor ao país e "não toleram sinais, por mais tímidos que sejam, de resistência e enfrentamento".

"É para isso que procuram com o recurso a instrumentos de submissão, seja o Tratado Orçamental ou o semestre europeu de que os chamados programas de reformas ou de estabilidade são filhos", declarou, garantindo que o PCP continuará "a intervir para defender os interesses nacionais".

O presidente do BCE, Mario Draghi, esteve presente na quinta-feira na primeira reunião do Conselho de Estado do mandato do novo Presidente da República, a convite do chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, na qual fez uma exposição "sobre a situação económica e financeira europeia".

Durante a sua intervenção, o presidente do BCE afirmou que o banco central acolhe com agrado o compromisso das autoridades portuguesas em preparar medidas adicionais para cumprir as determinações do Pacto de Estabilidade e Crescimento, mas avisou que "não se justifica anular reformas anteriores".

Para o presidente do banco central, "os esforços desenvolvidos por Portugal foram notáveis e necessários" e há "sinais claros" de que estão a "dar fruto", mas persistem "desafios importantes, dado a área do euro continuar a ser negativamente afetada por um crescimento potencial reduzido e por um desemprego estrutural elevado".