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Aniversário do Bloco deixa 200 sem almoço

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Um naipe de oradores sem precedentes, juntando fundadores e várias gerações, fez esgotar os lugares do almoço de aniversário do BE neste domingo, em Lisboa. Mas mesmo sem refeição, muitos bloquistas vão estar nas galerias da Voz do Operário, para assistir aos discursos

Pela primeira vez desde que abandonou a liderança do Bloco, há quase três anos e meio, Francisco Louçã participa numa iniciativa pública do partido, com exceção de comícios em períodos eleitorais.

Louçã será um dos oradores do almoço do 17º aniversário, marcado para este domingo, na Voz do Operário, em Lisboa. Luís Fazenda e Fernando Rosas, os outros dois fundadores vivos (Miguel Portas faleceu há quatro anos), também usarão da palavra.

E além, naturalmente, de Catarina Martins, a atual porta-voz, também se ouvirá na Voz do Operário a voz de João Semedo, que após a saída de Louçã assegurou com Catarina a liderança bicéfala do Bloco. Será a segunda vez que o ex-coordenador, operado a um cancro na garganta e a quem foram retiradas as cordas vocais, intervirá numa sessão pública. A primeira foi num comício em Coimbra, em janeiro, na campanha presidencial de Marisa Matias.

Sem ter sido anunciado, o discurso de Semedo, que fala através do esófago e com o auxílio de um equipamento implantado na garganta, apanhou de surpresa os presentes e deixou muitos espectadores comovidos. Este domingo, agora com divulgação prévia, Semedo fará, de resto, a intervenção inicial no almoço.

O 17º aniversário do BE é celebrado num quadro de pacificação interna, sedimentada por dois bons resultados eleitorais (legislativas e presidenciais). As correntes que há cerca de ano e meio se digladiaram e deixaram o partido à beira da implosão caminham hoje a par, a preparar uma moção conjunta para a próxima convenção, a 25 e 26 de junho. O conjunto de oradores dará à iniciativa "uma dimensão política e afetiva" inédita, como reconhecem ao Expresso fontes do partido.

Tudo somado, o interesse de militantes e simpatizantes superou em muito as expectativas dos organizadores. Sem contar com as inscrições de última hora, que no caso do Bloco costumam ser bastantes, no final da tarde de sexta-feira havia já duas centenas de pessoas sem lugar, pois estava esgotada a capacidade da sala (300 lugares à mesa).

Mas segundo uma fonte do partido, mesmo sem a garantia de almoço, diversos militantes do BE manifestaram a intenção de estar presentes na Voz do Operário. Pretendem assistir nas galerias às intervenções dos fundadores e de antigos e atuais dirigentes máximos do Bloco.