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Maioria comunista da CGTP chumba voto do BE a condenar Angola

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PCP ditou a sua lei no conselho nacional da CGTP, reunido esta sexta-feira, ao rejeitar um “voto de solidariedade” com os ativistas angolanos presos, apresentado pelos sindicalistas do BE. Socialistas e independentes estiveram ao lado de bloquistas

O conselho nacional da CGTP, reunido esta sexta-feira, chumbou um voto apresentado pelos sindicalistas do BE que pretendia condenar as autoridades de Luanda pelo processo que levou à prisão de 17 ativistas, entre os quais o luso-angolano Luaty Beirão.

Na votação realizada já durante a tarde, o texto do BE apenas recebeu 17 votos. Entre os que secundaram os bloquistas estavam socialistas e independentes. Houve uma abstenção. No momento da contagem de votos, estariam presentes cerca de uma centena dos 147 membros do conselho nacional da CGTP, central largamente dominada pelos sindicalistas do PCP.

Da parte da manhã, a maioria comunista tentou persuadir os proponentes do voto para que ele fosse retirado e repensado. Como contrapartida de não haver uma votação, o conselho nacional propunha um "aprofundamento da análise da situação angolana".

Contudo, os seis sindicalistas do BE que integram o conselho nacional da CGTP (Francisco Alves, José Ferreira, Paula Canotilho, Paulo Gonçalves, Paulo Ricardo e Pedro Ramos) mantiveram a proposta sobre a mesa, o que levaria à sua votação da parte da tarde.

O texto pretendia que fosse prestada "solidariedade aos ativistas angolanos" , repudiado "o processo judicial e os atropelos aos direitos humanos", exigindo igualmente a "libertação" dos 17 ativistas, condenados a penas de prisão efetiva entre os dois e os oito anos (sentenças em relação às quais foram interpostos recursos).

No conselho nacional da CGTP, a maioria dos membros, do PCP, seguiu, com naturalidade, a mesma posição que os deputados comunistas haviam assumido no Parlamento. Na semana passada votaram contra dois votos de condenação apresentados, um do BE e outro do PS, contribuindo assim para o chumbo de ambos.

Na fundamentação do voto de solidariedade apresentado esta sexta-feira, a corrente do Bloco cita a declaração de princípios da CGTP. Nela se defende, por exemplo, "uma democracia, assente no princípio da igualdade e na participação dos cidadãos e cidadãs, em todas as variadas formas de organização e funcionamento da sociedade, em que o modelo de representação política pluripartidária no parlamento, eleito por sufrágio universal, não esgota, antes potencia, a intervenção crítica e responsável a todos os níveis da vida em sociedade".

Os sindicalistas do Bloco salientam que este caso "deu origem a uma campanha internacional. Contudo, o regime político angolano não se inibiu e levou por diante uma encenação judicial", num processo que "violou recorrente e deliberadamente a própia Lei angolana e o direito internacional".