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Política

Louçã acusa Draghi de “exibição de poder” no Conselho de Estado

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Jose Carlos Carvalho

Conselheiro de Estado defende que “há uma anormalidade” no facto de estar presente numa primeira reunião “o representante de um entidade estrangeira” que fez parte do grupo que conduziu um “programa que foi um fracasso em Portugal”

“Exibição de poder.” É assim que Francisco Louçã descreve a participação de Mario Draghi no Conselho de Estado desta quinta-feira. Em entrevista à TSF, que apenas será transmitida na íntegra este sábado, o estreante conselheiro teceu criticas ao presidente do Banco Central Europeu e defendeu que Marcelo Rebelo de Sousa não deveria ter convidado “o representante de um entidade estrangeira”.

“O que Mario Draghi fez foi uma exibição de poder que é totalmente descartada pelas regras constitucionais portuguesas e até pela elegância mais elementar”, considera Louçã. “Há uma anormalidade institucional, que é possível no contexto da lei mas pouco aconselhável politicamente.”

O antigo coordenador do Bloco de Esquerda criticou também o aviso deixado por Draghi de que há metas cumprir e reformas a manter, lembrando que a “austeridade foi um desastre”. “Todas as notas sobre reformas estruturais são uma construção ideológica absurda, sabendo que o BCE fez parte da troika, que geriu um programa que foi um fracasso em Portugal. Nestes anos, a dívida pública portuguesa subiu 32%.”

O Conselho de Estado debateu as opções que se colocam a Portugal “em termos de afirmação do ímpeto reformista” e os desafios dos próximos anos para “assegurar a trajetória de sustentabilidade das finanças públicas portuguesas”.

Numa nota distribuída à comunicação social no final da primeira reunião do Conselho de Estado convocada pelo novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, são apenas divulgados os temas que estiveram em debate, sem referência a quaisquer conclusões.