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João Soares demite-se: “Não prescindo do direito à expressão da opinião”

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Depois das críticas de que foi alvo por ter prometido “bofetadas” a dois colunistas do “Público”, o ministro da Cultura apresentou esta sexta-feira a sua demissão. António Costa já tinha condenado as declarações de João Soares: “Nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo”

Marcos Borga

Está consumada a primeira baixa no governo socialista. O ministro da Cultura, João Soares, apresentou esta sexta-feira a demissão ao primeiro-ministro, invocando razões de solidariedade com o executivo.

"Torno público que apresentei esta manhã ao senhor primeiro-ministro, António Costa, a minha demissão do XXI Governo Constitucional. Faço-o por razões que têm a ver com a minha profunda solidariedade com o Governo e o primeiro-ministro, e o seu projeto político de esquerda", salienta João Soares num comunicado enviado à agência Lusa.

No mesmo comunicado, João Soares sublinha "o privilégio que representou" ter integrado este Governo. "E ter trabalhado com o primeiro-ministro, a quem agradeço a confiança. Demito-me também por razões que têm a ver com o meu respeito pelos valores da liberdade. Não aceito prescindir do direito à expressão da opinião e palavra", acrescenta.

O pedido de demissão surge na sequência das críticas de que João Soares foi alvo depois de ter prometido “bofetadas” a dois colunistas do “Público”. O PSD considerou a situação “inqualificável” e solicitou uma audição parlamentar do ministro, o CDS exigiu um pedido de desculpas, enquanto o Bloco de Esquerda também condenou a afirmação feita no Facebook.

O próprio primeiro-ministro lamentou publicamente as declarações de João Soares, defendendo que os governantes “nem à mesa do café podem deixar de se lembrar que são membros do Governo”, muito menos nos “novos espaços comunicacionais”, como as redes sociais. Entretanto, António Costa já aceitou a demissão de João Soares.

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