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Caso João Soares: Montenegro acusa Governo de condicionar a liberdade de expressão

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JOSÉ COELHO / Lusa

Líder parlamentar do PSD diz que o caso de João Soares tem que ver com a forma como o Governo, nomeadamente o primeiro-ministro, encara o exercício da liberdade de expressão. “Não posso deixar de referir que o PM tentou condicionar um jornalista por SMS”, sublinhou Luís Montenegro

O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, reafirmou esta tarde a necessidade de avançar a audição parlamentar a João Soares na sequência da demissão do ministro da Cultura, após ter ameaçado dois colunistas do "Público".

“Creio que o Parlamento deve prosseguir o esforço de escrutínio sobre a ação de alguns membros do Governo sobre a relação na comunicação social. Por isso mesmo hoje propusemos e mantemos o requerimento para ouvir João Soares, a diretora do "Público" e a ERC", afirmou o líder parlamentar do PSD.

Montenegro defendeu que o caso de João Soares prende-se à maneira como o Executivo vê o exercício da liberdade de expressão e de informação. “Não posso deixar de referir que o PM tentou condicionar um jornalista por SMS”, frisou o deputado do PSD, referindo-se a uma mensagem enviada por António Costa a um subdiretor do Expresso.

Afirmou ainda que está em causa uma questão política "relevante" que ainda se mantém, apesar da demissão de João Soares. "Esta postura do Governo tem feito escola. Tem que ver com a forma como o Governo, a começar pelo primeiro-ministro, se relaciona com a crítica que vem do exercício da liberdade de expressão, seja de alguns cidadãos, seja de profissionais da comunicação social", acrescentou.

Para Montenegro, o primeiro-ministro perdeu a sua condição de liderança relativamente a um dos seus elementos: "Creio que a sua própria alusão com parte seu trabalho [de João Soares] não como PM mas como vereador da Câmara Municipal de Lisboa em 1900 e troco passo revela bem o relacionamento ao nível do governo.”

O PSD requereu esta sexta-feira a audição na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, de João Soares, da diretora do jornal "Público", Bárbara Reis e do conselho regulador da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), depois de o ex-ministro da Cultura ter ameaçado dar umas "salutares bofetadas" a Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente no Facebook.