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Bloco quer ouvir ex-chefe do Estado-Maior do Exército no Parlamento

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Os bloquistas requerem a audição do general Carlos Jerónimo, que se demitiu nesta quinta-feira, para lhe perguntar tinha conhecimento da "discriminação em função da orientação sexual", existente no Colégio Militar, segundo o subdiretor desta instituição

O Bloco de Esquerda requereu na noite desta quinta-feira a audição no Parlamento do general Carlos Jerónimo, o chefe do Estado-Maior do Exército cuja demissão fora conhecida horas antes.

Em requerimento subscrito pelos deputados João Vasconcelos e Pedro Filipe Soares, o BE alude a recentes declarações do subdiretor do Colégio Militar, o tenente-coronel António José Ruivo Grilo, que reputa de "particular gravidade".

Para os parlamentares do Bloco, o responsável pelo Colégio Militar "aborda diretamente a questão da homossexualidade naquela instituição, reconhecendo e legitimando a existência de práticas discriminatórias de alunos homossexuais".

É a partir daquela descrição que o BE quer as explicações do até pouco tempo chefe do Estado-Maior do Exército: "Era do conhecimento da hierarquia militar a discriminação em função da orientação sexual no Colégio Militar? Era a orientação das chefias? Já tinha havido denúncias sobre esta discriminação? Que medidas tinham sido implementadas para que esta situação terminasse?", questionam João Vasconelos e Pedro Filipe Soares.

Ao Expresso, João Vasconcelos sublinha que a Constituição "consagra o princípio da igualdade", pelo que "a orientação sexual não pode, em nenhum caso, constituir um fator de discriminação".

Por fim, terminam os deputados do Bloco no requerimento enviado à Comissão de Defesa Nacional, "é com o peso da responsabilidade do incumprimento do instituído na Constituição que acontece o pedido de demissão" do general Carlos Jerónimo, de 58 anos.

O general Carlos Jerónimo, Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) desde 18 de fevereiro de 2014, apresentou esta quinta-feira um pedido de demissão ao Presidente da República, que é, por inerência, o Comandante Supremo das Forças Armadas.

Fonte da Presidência disse à Lusa, Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o pedido de demissão do general Carlos Jerónimo, tendo agradecido os "serviços relevantes" prestados por este militar ao país.

Questionado pela Lusa, o porta-voz do Exército disse que o general CEME "solicitou a resignação do cargo por motivos pessoais".