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Restruturação do Banif foi sendo adiada para não pôr em causa a saída da troika

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Marcos Borga

Desde 2014 que Maria Luís Albuquerque era confrontada sucessivamente pela Comissão Europeia com os atrasos na solução para o Banif. Só quando o governo do PSD já estava em gestão, é que lançou o concurso de venda, que falhou

Os prazos para a restruturação do Banif foram sempre adiados para “não pôr em risco a saída programa de assistência financeira”, revelam algumas cartas trocadas entre Maria Luís Albuquerque, ex-ministra das Finanças, e a comissária europeia da Concorrência Margrethe Vestager, a que o jornal “i” teve acesso.

Maria Luís tem estado debaixo de fogo desde que aceitou ir trabalhar para a empresa britânica Arrow Global, empresa que disse desconhecer a existência até dezembro do ano passado. Esta quarta-feira, a ex-ministra das Finanças vai ser confrontada com a resolução do Banif no Parlamento.

Segundo as cartas a que o jornal "i" teve acesso, desde 2014 que Maria Luís era confrontada sucessivamente pela Comissão Europeia com os atrasos na solução para o Banif. E só quando o Governo do PSD já estava em gestão, prestes a ser substítuido pelo Executivo de António Costa, é que lançou o concurso de venda, que falhou.

A primeira carta é datada de 12 de dezembro de 2014. A comissária europeia questiona o “longo período de tempo” que decorreu desde que o Banif recebeu ajuda públicas, sem que tivesse sido apresentado um plano de restruturação “credível”. E deixa uma revelação: os prazos para que os problemas do banco fossem corrigidos foram sendo adiados para “não pôr em risco a saída do programa de assistência financeira”. Depois disto, todos os planos de restruturação e respectivas versões são chumbados por Bruxelas, sempre com dúvidas na avaliação da viabilidade.”

O "i" escreve que a comissária aceita esta argumentação do Governo, que se queixava de falhas na administração do banco, mas pede ao executivo português rapidez na substituição de Jorge Tomé, de modo que fosse possível apresentar um novo piano de reestruturação ate marco de 2015. Se tal não acontecesse, abriria uma investigação aprofundada ao Banif. Isto veio já a acontecer em julho de 2015.

Numa carta de 27 de março de 2015, Maria Luís Albuquerque diz que tem dois interessados em comprar a parte do estado no Banif, mas não conseguiu formar uma equipa para substituir Jorge Tomé. “Lamento informar que a pessoa que tinha a intenção de nornear para CEO do Banif não conseguiu formar a equipa”, escreveu.

Só passados sete meses, a 12 de novembro de 2015, é que Maria Luís Albuquerque lançou finalmente o concurso, após ultimato de Bruxelas, e deixou a decisão para o próximo Governo.