Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos “surpreendido” por esquerda “fechar a porta” a um entendimento

  • 333

Antigo primeiro-ministro critica a reação do Governo e dos partidos da maioria parlamentar a propósito do desafio do PSD para discutir um entendimento

O presidente do PSD desafiou esta terça-feira o ministro da Solidariedade Vieira da Silva a promover uma nova reforma para garantir o financiamento da Segurança Social. O líder social-democrata acusou ainda os socialistas de medidas contraditórias que podem dificultar a resolução do problema.

"O atual ministro da Solidariedade já no passado foi uma pessoa que evidenciou uma sensibilidade particular para esta questão, na medida em que, como ministro de um outro Governo socialista, defendeu uma reforma da Segurança Social para resolver estes problemas que, afinal, não foram resolvidos", disse Pedro Passos Coelho, na inauguração da nova sede do PSD em Almada.

O líder dos social-democratas foi mais longe nas críticas a Vieira da Silva, dizendo que este "deve ser o primeiro a demonstrar abertura, iniciativa e interesse suficiente para poder encontrar um segundo fôlego de reforma, para que, desta vez, possa mesmo resolver o problema".

Pedro Passos Coelho lembrou, no entanto, que as medidas já anunciadas pelo primeiro-ministro parecem ir em sentido contrário. "Sabendo que falta dinheiro na Segurança Social, assistimos ao anúncio de que se vai usar o dinheiro do Fundo de Estabilização da Segurança Social para investir em reabilitação urbana", afirmou. "É qualquer coisa que nos parece paradoxal, em particular porque o Governo insiste nesta ideia, mas não diz em que contas se baseou para garantir que esse investimento tem um retorno suficiente, para dar garantias às pessoas."

Perante cerca de duas centenas de militantes social-democratas, o líder do PSD afirmou ainda que as medidas trazidas do anterior Governo, no que toca à Segurança Social, "têm tido um retorno razoavelmente elevado" e advertiu: não é claro que se obtenha o mesmo retorno com investimentos na reabilitação urbana.

Num discurso em que reiterou as principais mensagens deixadas no Congresso, Passos Coelho reafirmou também a disponibilidade do PSD para participar na discussão das reformas do estado e da segurança social.

A isto junta-se uma revisão da lei eleitoral. "Uma coisa é votar nos partidos, outra coisa é escolher os deputados. Poderemos aperfeiçoar o nosso sistema sem pôr em causa o sistema de representatividade proporcional, dando aos cidadãos mais capacidade de escolherem os seus deputados", defendeu Passos.