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PS puxa orelhas a BE e PCP

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TIAGO PETINGA / LUSA

Na tarde desta quarta-feira, num debate sobre o escândalo “Panama Papers”, o socialista João Galamba alertou a esquerda parlamentar que o problema não se resolve com “tiradas indignadas e pedidos inexequíveis”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

O debate quase que não acontecia, não fosse a estupefação do presidente da Assembleia da República perante o facto de, no fim das intervenções de BE, PCP e PEV sobre o escândalo financeiro Panama Papers, não haver quaisquer outras inscrições por parte das demais bancadas.

"Parece-me completamente absurdo", fez notar Ferro Rodrigues, conseguindo assim que João Galamba, vice-presidente da bancada parlamentar do PS, se levantasse (e, depois dele, também Teresa Leal Coelho, do CDS, e João Almeida, do CDS) para improvisar duas perguntas ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais.

De caminho, Galamba alertou os parceiros do suporte parlamentar ao Governo: "este escândalo não pode servir apenas para tiradas indignadas e pedidos inexequíveis". E prosseguiu a "reprimenda". "É pura ilusão pensar que bravatas individuais poderão resolver o problema", continuou Galamba, lembrando que só a "estrita articulação internacional" o conseguirá fazer. "Sem a participação de todos nada será feito", reiterou.

O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, suavizou o tom: Se é verdade que esta realidade, "com décadas", não vai "terminar por qualquer posicionamento unilateral de Portugal ou qualquer outro país", "não significa que devamos esperar passivamente. Devemos ser protagonistas ativos", disse.

A iniciativa do debate partira do BE que, três dias depois de conhecidas as primeiras informações sobre o escândalo financeiro Panama Papers, quis levar o tema a discussão parlamentar. Mariana Mortágua subiu ao palanque para condenar todos os que procuram um offshore porque só querem "fugir às regras e às leis que regem a vida de todos os outros" e para lembrar "o elefante na sala": que Portugal tem, na Madeira, o seu próprio offshore.

A deputada bloquista quis deixar um apelo: que "para alem da indignação fácil que este caso possa provocar, tenhamos a coragem de não deixar tudo na mesma". Na réplica, respondeu a Galamba: "é diminuir o debate achar que alguns vêm aqui de forma voluntarista a querer acabar com os offshore". Mas, acrescentou, "há coisas que se podem fazer" e que é possível o voto favorável de todas as bancadas às propostas do BE, "se as lerem com cuidado e sem preconceito".

O comunista Miguel Tiago também anunciou várias iniciativas do PCP nesta matéria: um requerimento ao Banco de Portugal para que sejam fornecidos os memorandos sobre os sistemas de controlo interno para a prevenção do branqueamento de capitais e do financiamento do terrorismo sobre todo o sistema financeiro; novas versões do projeto para o plano nacional e internacional para a extinção de offshores - que o PCP apresentara pela primeira vez no ano passado; e a constituição de uma unidade técnica para o apuramento dos beneficiários dos fluxos financeiros que lesaram a banca nacional.

Isto apesar de o PCP admitir reservas sobre os interesses que a informação conhecida até agora dos Panama Papers visa "servir" - uma vez que, disse logo na primeira frase, o consórcio internacional de jornalistas que está a fazer a investigação "é financiado quase exclusivamente por grandes corporações americanas".