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Passos encontra-se hoje com o “dr. Rebelo de Sousa”

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Ana Baião

Agora, sim. Passos Coelho assumiu-se como líder da oposição “sem pressa” e fez votos por um “dr. Rebelo de Sousa” que não seja meias-tintas. O Presidente da República fala esta tarde com ele, em Belém

Combinaram há dias falar depois do Congresso do PSD e não perderam tempo. Pedro Passos Coelho é esta segunda-feira recebido em Belém, às cinco e meia da tarde, já na qualidade de presidente reeleito do partido e depois de ter explicado o que espera do Presidente da República, a quem dedicou cinco minutos do seu discurso em Espinho.

Primeiro: Passos não quer proximidades excessivas e consigo não haverá "o Marcelo", mas sim "o dr. Rebelo de Sousa".

Segundo: do "dr. Rebelo de Sousa", o líder do PSD não espera meias-tintas. Pelo contrário, acha muito bem que ele seja "à margem dos partidos", mas avisa que "cabe-lhe intervir com pensamento e ação, arriscando tomar posições sempre que as circunstâncias e a sua consciência o ditar".

Para quem tivesse dúvidas, o ex-ministro Luís Marques Guedes, que Passos escolheu para primeiro nome da sua lista ao Conselho Nacional do PSD, carregou nas tintas à porta do Congresso: "O Presidente da República deve assinalar as divergências que tem com o Governo sempre que houver problemas que não estejam a ser bem resolvidos".

Ou seja, Passos chega esta tarde a Belém disposto a dizer ao Presidente que conta com ele. E o que leva para lhe dar em troca? O volte-face que ensaiou em Espinho – acabou o semestre de paralisia pós-legislativas, o PSD vai ser pro-ativo, aceita falar com o Governo e tem propostas a fazer, a começar pela reforma do sistema eleitoral e da segurança social.

O afeto não vai ficar à porta. Já no Congresso, Passos Coelho enviou "um abraço muito forte, com afeto" ao militante agora suspenso, que ganhou as presidenciais à primeira e permitiu ao PSD bisar o feito (depois de Cavaco Silva). Mas o que aí vem não são "peanuts". Marcelo quer estabilidade e consensos, Passos quer provar que o Governo socialista é de alto risco. Já houve coabitações mais fáceis.