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Carlos Costa desaconselhou resolução do Banif que veio a aplicar

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CARLOS COSTA. O que é que o BES tem a ver com o BANIF?

LUÍS BARRA

Para o governador do Banco de Portugal, as circunstâncias específicas da situação em que o Banif e o sistema financeiro nacional desaconselhavam “a adoção para este banco [Banif] de uma solução idêntica à utilizada para o BES”

Qual era mesmo a opinião do governador do Banco de Portugal quando à situação do Banif? Segundo o “Público” desta segunda-feira, quinze dias antes de o banco ter sido vendido por 150 milhões de euros ao Santander, Carlos Costa tinha desaconselhado essa opção ao ministro das Finanças, Mário Centeno.

De acordo com uma carta de 12 páginas, a que o “Público” teve acesso, enviada por Carlos Costa a Mário Centeno, em que explicava a “crise grave” do que o Banif atravessava, o governador do BdP manifestava uma preferência clara: uma nova injeção de capitais públicos no Banif.

"O Banco de Portugal entende que a solução que melhor permite lidar com a situação de crise financeira grave que o Banif enfrenta e que melhor garante a estabilidade financeira é a realização de uma operação de capitalização obrigatória com recurso ao investimento público", escreveu Carlos Costa.

Para o governador, as circunstâncias específicas da situação em que o Banif e o sistema financeiro nacional desaconselhavam "a adoção para este banco de uma solução idêntica à utilizada para o BES" - uma resolução, seguida da entrada em funcionamento de um "banco de transição".

Na mesma carta, Carlos Costa incluia também uma estimativa financeira: a recapitalização do Banif exigiria um montante entre 1606 e 2118 milhões de euros, e o governador garantia ao ministro, nessa altura, que seria "expectável que o Estado recupere" um valor "entre 624 e 734 milhões de euros", escreve o "Público".

Como já é conhecido, poucos dias depois, a fatura imediata acabou por chegar aos 2463,2 milhões.