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7 coisas infalíveis no Congresso do PSD

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Rui Duarte Silva

O apelo ao coração, a proposta fraturante ou o busto de Sá Carneiro. Já são 36 congressos e a tradição ainda é o que era

Helena Pereira

Helena Pereira

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Editora de Política

A acreditar na tradição, havia várias situações que as centenas de delegados ao 36º Congresso do PSD, suspeitavam que iriam presenciar ao chegarem a Espinho. E o Congresso não os defraudou.

O busto de Sá Carneiro

Parece piada mas é verdade. Para cada Congresso do PSD, o partido carrega o busto do seu fundador, que está na sede em Lisboa, e coloca-o do lado direito do palco junto às bandeiras de Portugal, do partido e da União Europeia. Este Congresso não defraudou as expetativas.

O momento emotivo para aquecer o coração

No último Congresso do PSD, há dois anos em Lisboa, o grande momento foi protagonizado por Marcelo Rebelo de Sousa. O professor catedrático de Direito primeiro disse que não iria, apareceu de surpresa, vindo do aeroporto, e fez um discurso intimista e caloroso que calou por completo a grande sala do Coliseu dos Recreios. Suspensos das palavras e da entoação característica de Marcelo, os congressistas sorriam e aplaudiam o homem a quem Passos chamava de “catavento” na moção que levou ao Congresso e que este janeiro acabou por ser eleito Presidente da República à primeira volta. Santana, em Espinho, falou de Sá Carneiro, elogiou Cavaco Silva e deu apoio acérrimo a Passos. “Na política há muito de interesse e pouco de amor”, queixou-se sobre as ondas críticas.

O ataque ao Governo, neste caso, "geringonça"

Eram inevitáveis as menções ao Governo de António Costa que foi viabilizado pelo PCP, BE e PEV. Várias vezes a palavra “geringonça” foi ouvida na Nave Desportiva de Espinho. O ex-deputado António Rodrigues até lhe chamou “caranguejo” porque anda de lado. Paulo Rangel acusou o PS de estar “refém” do PCP e dos sindicatos. Passos admitiu que é hoje uma “solução mais consistente” do que há alguns meses, revelando que o azedume inicial se esbateu um pouco mas o alvo continua lá.

A contestação interna

Ela apareceu pela voz de José Eduardo Martins, Paulo Rangel e Pedro Duarte que pediram mais a Passos e apontaram os erros dos últimos meses desde que a maioria de esquerda derrubou o Governo PSD/CDS em novembro na Assembleia da República.

A dança de cadeiras

A renovação não foi surpreendente, mas traduziu-se em três entradas novas para as vice-presidências: Maria Luís Albuquerque, Teresa Morais e Sofia Galvão. Foram apresentadas várias listas ao Conselho Nacional mas Passos tentou unificá-las. A votação para os órgãos do partido decorrem este domingo de manhã. A escolha da ex-ministra foi mal recebida por alguns congressistas pelo facto de ainda não se terem dissipado as dúvidas sobre a sua contratação pela Arrow Global. Mas a própria Maria Luís apressou-se a desdeamatizá-lo em pleno congresso. "Ruído? Qual ruído?", respondeu aos jornalistas. Tal como o Expresso noticiara, o PSD tentou acelerar no Parlamento o processo de averiguação de eventuais irregularidades sobre o novo trabalho a tempo do Congresso.

O entertainer

Há sempre um nos Congressos. Desta vez voltou a ser Fernando Costa, o ex-presidente da Câmara das Caldas da Rainha que é hoje vereador no município comunista de Loures e que fez uma reedição do discurso de há dois anos com vários elogios ao presidente da autarquia Bernardino Soares. O número já não era novo e suscitou menos animação na sala do que o desejável.

A proposta fraturante

Há sempre uma ideia que escapa ao guião e que põe os congressistas a falar. Desta vez o culpado foi Paulo Rangel que defendeu no palco o fim “do país dos doutores”. A proposta, defendeu, é que os atos e documentos oficiais deixem de ter menções aos títulos académicos das pessoas para que terminem “as discriminações” e se “rompa com a estrutura oligárquica da sociedade portuguesa”.

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