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Marcelo vai a Berlim, encontro com Merkel na forja

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Jose Carlos Carvalho

Em 2012, Marcelo na TVI: ‘‘Merkel tem que aprender a humildade dos fortes’’

A agenda externa de Marcelo Rebelo de Sousa está imparável. Em maio, depois de uma visita-relâmpago a Itália, entre os dias 1 e 2, de onde segue para Moçambique, que visitará de 4 a 7, o Presidente da República desloca-se à Alemanha. O pedido de autorização para estas deslocações presidenciais ao estrangeiro já chegou ao Parlamento. Marcelo visitará Berlim entre 23 e 24 de maio.

O convite foi do seu homólogo alemão, Joachim Gauck, e ainda não está confirmado que haja um encontro de Marcelo Rebelo de Sousa com Angela Merkel. Recorde-se que, recentemente, Gauck admitiu limites para a entrada de refugiados no país, desafiando a chanceler, que tem defendido entradas ilimitadas. Ao que o Expresso apurou, a preparação da visita incluirá, desejavelmente, um ponto de conversa do PR português com a chanceler, que Marcelo, em 2012, considerava, como comentador televisivo, ser “muito arrogante”. Foi nesse papel que Merkel, próxima de Passos, se tornou uma das figuras internacionais mais familiares da opinião pública portuguesa. O próprio António Costa fez questão de se encontrar com ela pouco tempo depois de suceder a Passos à frente do Governo.

O facto de a Alemanha ser o principal investidor estrangeiro em Portugal também não é alheio a este interesse de Marcelo em dar prioridade a Berlim, numa altura em que a captação de investimento se revela cada vez mais vital para a economia nacional. O novo Presidente da República já manifestou a intenção de manter contactos pessoais bastante próximos com outros chefes de Estado, colocando-se numa posição de reforço ativo da diplomacia política e económica que tem como principal protagonista o Governo. E nesse sentido não perdeu tempo a incluir na sua agenda uma série de deslocações ao exterior.

Começou pelo Vaticano e Espanha, irá ainda em abril a Estrasburgo onde fará um discurso no Parlamento Europeu, e em maio juntará as visitas a Itália e à Alemanha — dois membros do chamado Grupo de Arraiolos, que nasceu durante o consulado de Cavaco Silva e que junta os países da União Europeia com chefes de Estado sem poderes executivos. De Itália, país europeu com relações privilegiadas com Moçambique, onde a Comunidade de Santo Egídio, fundada em Roma, tem desenvolvido uma forte ação humanitária, Marcelo parte precisamente para o primeiro país africano que escolheu visitar. Foi lá que o pai do atual PR exerceu, nos anos 60, funções como governador.

Presidente “hiperativo”

Marcelo tinha avisado. Numa entrevista à SIC antes da campanha eleitoral, o ainda candidato presidencial anunciou que se ganhasse as eleições seria “um Presidente hiperativo”. E a sua agenda desde que chegou a Belém, seja na frente externa seja na interna, não mostra outra coisa.

Esta semana, o Presidente fez a sua primeira comunicação ao país pela TV, no caso sobre o Orçamento do Estado, cuja promulgação justificou — “é o OE possível” — com uma ressalva — “será o suficiente?”; visitou o Hospital de Vila Franca, onde pediu um consenso sobre Saúde; assistiu ao Portugal-Bélgica; recebeu empresários; inaugurou a Cidade do Futebol... Na próxima semana, as atenções vão estar concentradas na primeira reunião do (seu) Conselho de Estado. Com o Programa de Estabilidade (de Costa) na agenda e Mario Draghi, presidente do BCE, sentado à mesa.