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“Continuamos disponíveis para fazer a reforma da segurança social”

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Rui Duarte Silva

Passos Coelho diz que está de pé o convite que dirigiu a António Costa, quando ainda estava no Governo, para PSD e PS se sentarem à mesa para um entendimento sobre a sustentabilidade da segurança social

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Divergências (e são muitas) à parte, Pedro Passos Coelho está disponível para se sentar à mesa com António Costa e chegar a um entendimento sobre uma reforma estrutural que considera absolutamente essencial para o país: a sustentabilidade da segurança social.

O presidente do PSD foi taxativo: “A sustentabilidade da segurança social não pode ficar à espera de que o problema da natalidade fique resolvido”. E lembrou que antes das eleições (de outubro) chamou a atenção do agora primeiro-ministro “para a necessidade de um entendimento para garantir a sustentabilidade da segurança social”.

“O défice implícito da segurança social não permite nem hoje nem nos próximos 30 anos que as contribuições cubram as necessidades”, afirmou, para proclamar sem mais rodeios: “Temos um problema. E era bom que, por uma vez, os socialistas não fizessem de conta”.

Para afastar os fantasmas de um passado recente, que continuam de resto a ser acenados pelos partidos que apoiam o Governo, Passos garantiu: “Ninguém está a falar de cortar pensões”. Para logo corrigir: “Ou melhor, até estamos - queremos evitar ter de cortar pensões no futuro”. E para isso, assumiu: “Continuamos disponíveis para fazer essa reforma; ela é essencial para os portugueses”.

A reforma implica “mudar de regime”: “Mudar de um sistema em que temos um benefício definido pela lei” para um sistema em que a contribuição seja de alguma forma decidida por cada um. Não quer impor o seu modelo, que define como “uma reforma estrutural”. Mas espera que o Governo também possa “apresentar a sua proposta com ambição estrutural”.

O momento certo para mexer no sistema eleitoral

A concluir a sua longa intervenção na abertura do 36o Congresso do PSD, o líder social-democrata sugeriu ainda ao PS que este é o “momento certo” para mexerem no sistema eleitoral. Garantiu que o PSD está aberto a discutir “não só a redução do número de deputados mas a forma como são eleitos”.

“Não é possível ter um sistema baseado na representação quando aqueles que votam têm muito pouco a dizer sobre os que são eleitos”, justificou, admitindo recuperar uma proposta que já em tempos mereceu o apoio dos socialistas: a de adoção de um sistema de voto preferencial.

“Agora, que não temos eleições (legislativas) à vista - e espero que não tenhamos tão cedo -, é o momento certo para discutir as alterações ao sistema eleitoral”.