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Ex-presidente do CCB falou em “recusa política” do plano Belém-Ajuda, autarca de Lisboa responde que ele queria uma concentração de poder

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O presidente da Câmara de Lisboa respondeu às criticas do ex-presidente do CCB numa mensagem publicada no Facebook

Nuno Fox

Após as declarações de António Lamas no parlamento onde lançou diversas acusações ao presidente da câmara de Lisboa pela inviabilização do pelo do eixo Belém-Ajuda, Fernando Medina contra-argumenta com um texto no Facebook.

O ex-presidente do Centro Cultural de Belém (CCB) António Lamas afirmou quinta-feira, no parlamento, que chegou a ter reuniões com responsáveis da câmara de Lisboa, sobre o plano do eixo Belém-Ajuda, mas depois houve uma "recusa política".

O responsável falava na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, para prestar esclarecimentos sobre a sua demissão, pelo ministro da Cultura, João Soares, em fevereiro, na sequência de um pedido de um requerimento apresentado pelo PSD.

“Tive inicialmente vários contactos com o vereador do Urbanismo, arquiteto Manuel Salgado, e com alguns técnicos, com bom acolhimento”, mas depois da criação da Estrutura de Missão, pelo anterior Governo, a autarquia “recusou envolver-se”.

António Lamas, presidente do CCB, desde outubro de 2014, até fevereiro último, era o responsável pela Estrutura de Missão da Estratégia Integrada de Belém, criada pelo anterior Governo PSD-CDS, extinta nesse mês pelo atual Governo.

O responsável disse que, depois de ter entregado o plano ao Governo da coligação de direita, em agosto do ano passado, teve uma reunião "muito desagradável" com o atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e lamentou a sua não concordância com o plano.

O ex-responsável pelo plano para o eixo Belém-Ajuda relatou que a câmara de Lisboa se recusou participar numa comissão de aconselhamento, criada com a participação de todas as instituições da zona para o prosseguimento do projeto, "porque não tinha o protagonismo que queria".

A Estrutura de Missão tinha como objetivo criar um plano estratégico em Belém, onde se concentra um grande conjunto de equipamentos culturais, jardins, museus e monumentos, alguns deles dos mais visitados do país, nomeadamente o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém e o Museu Nacional dos Coches.

"É óbvio que houve um afastamento da autarquia em relação ao projeto. Este plano nunca teve o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, portanto a substituição de António Lamas era lógica", comentou, na audição, a deputada socialista Gabriela Canavilhas.

Fernando Medina contra-argumentou num texto publicado esta sexta-feira na sua página do Facebook, no qual considera que as “contradições” do ex-presidente do CCB “acabaram com qualquer duvida de que a extinção da estrutura de missão Ajuda-Belém foi uma boa decisão e a única possível num quadro de bom senso”.

“No meio de contradições autojustificativas nunca respondeu ao essencial: qual o sentido de promover uma nova estrutura, composta por novos gestores públicos e contratando consultores externos para exercer competências actualmente a cargo de outros organismos? Como é que passa pela cabeça de alguém desenvolver uma zona central de Lisboa, relegando a Câmara Municipal para meras funções consultivas em áreas que são da sua competência, como o planeamento urbano ou a mobilidade?”

O autarca de Lisboa acusa António Lamas de pretender “concentrar todo o poder que podia para agir livremente numa zona da cidade. Ao contrário do que foi dito a rejeição frontal da Câmara nada teve a ver com o facto de ser uma estrutura nomeada pelo Governo de então, com qualquer protagonismo ou qualquer novidade”.

“A questão é simples. Não compete à CML decidir a programação do CCB, mas não compete ao CCB delinear políticas com este impacto na vida de um eixo central da cidade procurando substituir as diferentes entidades”, acrescentou.